Os Auxiliares de Serviços Escolares (ASEs) se reuniram em coletivo da categoria, nesta semana, no SISMUC, para debater e deliberar sobre a pauta de reivindicações deste ano que será apresentada à gestão municipal. O encontro reuniu trabalhadores das unidades escolares e contou também com a participação de novos servidores, fortalecendo o diálogo e a organização coletiva da categoria. Durante a atividade, também foi eleita a comissão de negociação que representará os ASEs nas tratativas com a administração municipal. O grupo terá a responsabilidade de dialogar em nome dos trabalhadores e acompanhar o andamento das reivindicações apresentadas.
Durante a reunião, os trabalhadores analisaram os principais pontos da pauta. Algumas reivindicações foram reformuladas e outras reafirmadas, especialmente diante de compromissos já assumidos pela Prefeitura, mas que ainda não foram efetivados e sequer possuem prazo definido para implementação.
Entre os temas debatidos, a categoria mantém a defesa da revisão do nível de entrada no serviço público municipal, que hoje é de nível fundamental e deveria ser de nível médio. Os trabalhadores reforçaram a urgência de que essas discussões resultem em medidas concretas de valorização profissional. Além disso, definiram por dar continuidade do grupo de estudos dos profisisonais voltado à construção da carreira dos ASEs.
Além das questões relacionadas à carreira, os profissionais relataram dificuldades enfrentadas no cotidiano das unidades escolares. Entre os principais problemas apontados estão a falta de mobiliário adequado, a ausência de espaços apropriados para descanso e alimentação e a precariedade geral das condições de trabalho. Também foi destacada a necessidade de maior valorização salarial e reconhecimento do papel desempenhado pelos trabalhadores nas unidades de ensino.
Outro ponto de grande preocupação da categoria é o dimensionamento entre número de trabalhadores e estudantes. Em muitas unidades, um único profissional chega a ser responsável por acompanhar cerca de 150 crianças, podendo chegar a até 300 estudantes dependendo do horário e da organização da escola, realidade que impacta diretamente a saúde dos trabalhadores e a segurança dos estudantes. Diante desse cenário, o SISMUC defende a revisão desse dimensionamento, propondo uma média de aproximadamente 70 estudantes por profissional, medida considerada fundamental para garantir melhores condições de trabalho e assegurar o cuidado adequado com as crianças, especialmente aquelas com deficiência que demandam maior atenção.
A pauta também incorpora outras demandas relacionadas à organização do trabalho nas unidades escolares. Entre elas estão as dificuldades enfrentadas pelos ASEs no acompanhamento de crianças até as Unidades de Ensino Integral (UEIs), a defesa da aposentadoria especial para a categoria e a realização de concurso público para recomposição do quadro de trabalhadores. Os servidores também reivindicam a ampliação de cursos específicos para inspetores, incluindo especializações e formações, inclusive durante a Semana de Estudos Pedagógicos (SEP).
Outro ponto levantado diz respeito à necessidade de revisão administrativa do horário de sono e descanso das crianças nas unidades, momento considerado pedagógico, mas que atualmente tem sido supervisionado por inspetores já sobrecarregados e sem a formação específica para essa atividade. Também foi debatida a política de pagamento da Gratificação de Responsabilidade Técnica destinada a agentes administrativos que assinam documentos nas escolas. Os trabalhadores defendem a revisão dessa política e criticam a interpretação da administração municipal de que a assinatura de documentos seria uma atribuição inerente ao cargo público e, portanto, não justificaria remuneração adicional.
Assembleia para aprovação das pautas
Como parte do processo de construção coletiva das reivindicações, será realizada no dia 25 de março uma Assembleia Extraordinária no SISMUC, localizado na Rua Monsenhor Celso, 225, no 2º andar. O encontro terá como objetivo apresentar e deliberar sobre a pauta geral e as pautas específicas das categorias.
A participação dos servidores é considerada fundamental para fortalecer o debate, contribuir com a construção das propostas e aprovar os documentos que orientarão as negociações com a Prefeitura. A organização e a participação coletiva dos trabalhadores seguem sendo elementos centrais para avançar na defesa de direitos e na conquista de melhores condições de trabalho no serviço público municipal.


