Foto: Alessandro Dantas Texto: Adriana Cláudia Kalckmann
A escala 6×1 significa menos descanso, menos tempo com a família e mais sobrecarga física e emocional para todos os trabalhadores que operam dentro desse regime. A escala 6×1, nos rouba o direito de sonhar, e não se trata apenas de uma metáfora. A falta de sono nos rouba a energia, o direito a aspirar uma vida mais digna e justa.
Para as mulheres, a escala 6×1 tem um peso ainda maior. Uma realidade que é fruto de uma sociedade que explora o trabalho das mulheres dentro e fora de casa, sem reconhecer, nem dividir as responsabilidades. A única folga acaba sendo dedicada a colocar em dia aquilo que a semana não permitiu terminar.
Essa realidade evidencia uma desigualdade estrutural, pois o trabalho doméstico e de cuidado segue atribuído às mulheres.
O resultado é o cansaço extremo, menos tempo para o auto-cuidado, lazer,estudo e vida social. Jornadas longas e rígidas ampliam as injustiças e essa sobrecarga tem consequências graves. O cansaço extremo, a falta de apoio e a dependência econômica, mantém muitas mulheres presas a relações abusivas.
Em um país marcado pelo feminicidio, discutir condições de trabalho também é discutir a violência contra as mulheres.
A escala 6×1 é mais do que uma jornada exaustiva de trabalho. Para mulheres, ela representa mais exploração, mais sobrecarga e mais violencia estrutural. Por isso, lutar contra a escala 6×1, também é lutar por dignidade, segurança e vida.


