SISMUC marca presença no Encontro Nacional da ISP e na Marcha de Mulheres Negras em Brasília

Esta semana foi marcada pelos encontros que debateram nacionalmente as pautas que atravessam e mobilizam a população negra. No dia 24 de novembro, o SISMUC esteve em Brasília para o Encontro Nacional de Combate ao Racismo, Xenofobia e Todas as Formas Conexas de Discriminação e Intolerância, promovido pela Internacional de Serviços Públicos (ISP), reforçando a importância de que os sindicatos e movimentos sociais enfrentem de forma concreta o racismo estrutural e institucional que atravessa as relações de trabalho e a sociedade.

O evento também contou com representantes de outros países da América Latina, como Equador, México, Argentina, Panamá e Colômbia que, assim como nós, enfrentam as dificuldades impostas pelo racismo e outras formas de discriminação lutam pelo reconhecimento e valorização das pessoas negras em todos os espaços. 

No dia 25, também na capital do país, mais de 300 mil mulheres negras — quilombolas, rurais, ribeirinhas e urbanas, do campo e da cidade, intelectuais, empreendedoras, trabalhadoras do setor público e privado — mostraram a sua potência na 2ª Marcha Nacional de Mulheres Negras. 

Juliana Mildemberg, coordenadora geral do SISMUC, manifesta a importância de termos cada vez mais mulheres negras ocupando cargos de liderança e de decisão, considerando que as famílias brasileiras são chefiadas por mulheres pretas e pardas, mas elas ainda são as que recebem os menores salários e ocupam cargos de subserviência. “Minha mãe e minha avó são mulheres negras que foram empregadas domésticas durante toda a sua vida. É honroso, porque foi desta forma que elas sustentaram a minha família. Eu sou a pessoa que quebrou este ciclo, a partir das cotas, das políticas públicas, então é possível”.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou da Marcha e destacou que o Brasil só avançará se reconhecer sua pluralidade. “Não podemos admitir nenhum tipo de transfobia, nem desrespeito à nossa diversidade. Queremos dialogar e construir, em conjunto, políticas públicas para as mulheres negras desse país”, disse a ministra.

Angelis Lopes, dirigente do SISMUC, aponta que a Marcha reafirma o protagonismo das mulheres negras na luta por justiça racial, dignidade e direitos humanos. “A cor da minha pele não muda quem eu sou, foi bonito ver as mulheres de diversas religiões, com diferentes sotaques e trajetórias reunidas e defendendo o bem viver de todas nós.” Para Dermeval da Silva, responsável pela pasta de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do SISMUC, a Marcha carrega um significado profundo, pois quando as mulheres negras se movem, toda a sociedade avança, a luta delas é coletiva. Ele também destaca a apresentação feita pela organização Irmandade da Boa Morte, um dos mais antigos movimentos de mulheres negras do país. “Assistir a apresentação daquelas mulheres foi como se pudéssemos enxergar nossas ancestrais. Elas são um símbolo de resistência”, finalizou.