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Dia da(o) Nutricionista reforça a necessidade de valorizar o trabalho desses profissionais, essenciais na prevenção, promoção e manutenção da saúde da população
Hoje, 31 de agosto, é comemorado o Dia da(o) Nutricionista, data que marca a fundação da Associação Brasileira de Nutricionistas (ABN), em 1949, atualmente conhecida como Associação Brasileira de Nutrição (Asbran). O dia reconhece a importância desses profissionais no cuidado com a saúde, garantindo uma alimentação de qualidade a toda a população.
A atuação do nutricionista vai muito além da prescrição de dietas. São eles que monitoram o estado nutricional da população, planejam e executam ações que incentivam uma alimentação adequada e saudável, e participam da implementação de políticas públicas.
“O nutricionista promove educação alimentar, estimula autonomia, resgata hábitos culturais e fortalece vínculos comunitários. Isso impacta a autoestima, o bem-estar e a capacidade das pessoas de fazer escolhas mais conscientes para sua vida e de suas famílias”, destaca a Presidente do Conselho Regional de Nutrição – 8ª Região e professora no Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Deise Regina Baptista.
Equipes multidisciplinares de saúde
A alimentação é um dos fatores determinantes da saúde, tanto na prevenção como no tratamento de doenças. Por este motivo, os nutricionistas desempenham um papel fundamental nas equipes multidisciplinares da Atenção Primária à Saúde (APS).
O programa eMulti, implementado pelo Governo Federal em 2023, criou equipes com profissionais de diferentes áreas atuando de maneira complementar e integrada. O objetivo é fortalecer o cuidado multidisciplinar e reduzir a fragmentação dos serviços de saúde. Para viabilizar o funcionamento dessas equipes, a União repassa recursos financeiros aos municípios credenciados, como Curitiba.
Nutricionistas na rede pública de Curitiba
De acordo com Deise Baptista, a presença de nutricionistas no serviço público é fundamental porque a alimentação saudável é um dos pilares da prevenção de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e obesidade.
Os nutricionistas também contribuem diretamente para a segurança alimentar e nutricional da população em todas as fases da vida, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, garantindo que políticas públicas se transformem em práticas concretas de promoção da saúde.
Esses profissionais atuam em diversos espaços, como escolas, hospitais e unidades de saúde. No caso das escolas da rede municipal, por exemplo, os nutricionistas são responsáveis por aplicar parâmetros nutricionais no planejamento dos cardápios, acompanhar a produção das refeições e garantir o cumprimento das exigências legais e sanitárias. Esse trabalho assegura que milhares de crianças recebam diariamente uma alimentação saudável e equilibrada.
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Apesar da relevância da categoria, Curitiba sofre com a falta de nutricionistas na rede municipal, o que compromete o atendimento à população e sobrecarrega os servidores em atuação. São 64 nutricionistas na cidade, segundo o Portal da Transparência da Prefeitura. O número de profissionais é insuficiente diante da demanda crescente, seja nas unidades básicas de saúde, escolas ou equipamentos de assistência social.
“Muitos programas de saúde e alimentação escolar dependem diretamente desse profissional, mas a quantidade e a distribuição ainda estão aquém das necessidades da cidade. A demanda por uma alimentação saudável e equilibrada tem crescido na sociedade e isso naturalmente amplia a necessidade de profissionais especializados, especialmente em áreas estratégicas como escolas, onde há uma preocupação crescente dos pais e da comunidade com a qualidade da alimentação”, avalia Baptista.
A falta desses profissionais, segundo a especialista, sobrecarrega os que estão em atuação, limita o alcance das políticas públicas, impacta a qualidade do serviço, compromete o acompanhamento nutricional individualizado e coletivo, reduz a efetividade das ações de prevenção e pode levar a um aumento nos custos com saúde a médio e longo prazo, devido ao crescimento de doenças relacionadas à alimentação, como obesidade, diabetes e hipertensão.
Valorização e reconhecimento ainda insuficientes
Na visão de Baptista, falta maior reconhecimento e valorização a respeito não apenas do trabalho realizado por esses profissionais, como do impacto econômico e social da nutrição. “Quando se entende que investir em nutricionistas reduz gastos futuros com saúde (internações, custos hospitalares) e melhora indicadores de qualidade de vida, fica evidente que não se trata de custo, mas de investimento.”
Para avançar, é necessário entender o papel do nutricionista como estratégico para a saúde, além de ampliar sua presença nos espaços de decisão e formulação de políticas públicas.
“Muitas vezes o trabalho do nutricionista é invisibilizado, visto como algo secundário, quando na verdade está diretamente ligado à prevenção de doenças e ao desempenho escolar e laboral da população. O reconhecimento ainda precisa se traduzir em políticas concretas de contratação e valorização.”
Nutrição é política pública
“O Dia do Nutricionista deve ser um marco não apenas de celebração, mas de mobilização e de luta. É o momento de reforçar junto à sociedade e aos gestores públicos a importância desse profissional, reivindicando condições dignas de trabalho, valorização salarial e ampliação dos concursos públicos”, defende Baptista.
A promoção de uma vida saudável passa, inevitavelmente, pela alimentação. Por isso, neste Dia da(o) Nutricionista, o SISMUC reforça seu compromisso com a luta por melhores condições de trabalho e reconhecimento desses profissionais tão fundamentais para a sociedade.