Ato no coração da cidade vai denunciar falta de vagas, descumprimento da lei do piso, adoecimento de profissionais e precarização na educação infantil em Curitiba
No próximo domingo (31 de agosto), das 9h às 15h, com concentração na Boca Maldita, no Centro de Curitiba, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (SISMUC), junto aos professores de educação infantil, realiza uma mobilização durante o “Domingo no Centro”. O objetivo é dialogar com a população sobre os graves problemas enfrentados nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), como o descumprimento da hora-atividade, o não pagamento do piso salarial nacional, a falta de valorização da categoria e a fila de espera por vagas.
Atualmente, mais de 7 mil crianças aguardam por uma vaga na educação infantil em Curitiba, segundo dados da própria Prefeitura. O SISMUC alerta que existem soluções para reduzir essa fila, como a construção de novas unidades e a abertura das salas já existentes nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), que poderiam atender parte da demanda. No entanto, por opção política, a gestão municipal continua ampliando o repasse de recursos ao vale-creche — transferindo a responsabilidade da educação pública para o setor privado — em vez de realizar concursos públicos para a contratação de mais professores e expandir a oferta de vagas na rede própria, mantendo assim a fila de espera.
Para muitas famílias, a espera representa um peso enorme. “Eu preciso trabalhar, mas não consigo uma vaga para minha filha de 2 anos no CMEI do meu bairro. Pagar uma creche particular está fora da minha realidade. Mesmo com esse vale, ainda preciso tirar dinheiro do meu bolso, tanto para o transporte — já que a vaga que consegui é longe de onde moro — quanto para a alimentação da minha criança. O que eu quero é que a Prefeitura garanta esse direito”, relata a trabalhadora Marília Aparecida, mãe e moradora da CIC.
A falta de investimentos na rede própria também sobrecarrega quem já está em sala de aula. Relatório do Observatório Nacional de Saúde Mental apontou que, em 2023, o adoecimento de profissionais da educação foi a principal causa de afastamentos no serviço público no Brasil. Em Curitiba, entre janeiro e julho de 2025, a Secretaria Municipal de Educação registrou 9.669 afastamentos por licença médica (LTS), segundo dados obtidos pelo SISMUC junto à Perícia Médica. O cenário se agrava com o descumprimento da hora-atividade, que reduz o tempo que deveria ser dedicado ao planejamento pedagógico e impacta diretamente a qualidade do ensino oferecido às crianças.
Além disso, a questão da inclusão evidencia ainda mais a sobrecarga da rede. Atualmente, há salas de pré-escola com até 8 crianças com deficiência, neurodivergentes ou com altas habilidades, muitas vezes sem tutoria especializada ou formação continuada adequada para os profissionais. Essa realidade compromete o atendimento individualizado e o aprendizado de todas as crianças, sobrecarrega professores e profissionais de apoio e reforça a necessidade de investimentos concretos em estrutura, formação e pessoal qualificado.
Outro ponto central é o descumprimento da Lei do Piso Nacional do Magistério (Lei 11.738/2008), que em Curitiba deveria ser reajustado em 7,53% neste ano. Segundo a própria Prefeitura, há estudo de aplicar o valor apenas como complementação para quem está abaixo do piso, sem corrigir a tabela salarial, o que aprofunda o achatamento da carreira. “Essa matemática da Prefeitura não fecha. Até 2022, Curitiba pagava acima do piso. Hoje, além de não cumprir a lei, empurra os professores para a desvalorização. O impacto de aplicar o reajuste a toda a tabela é de apenas 0,3% da receita do município. Não é falta de dinheiro, é falta de prioridade”, critica a direção do SISMUC.
Diante desse cenário, o SISMUC e os professores de educação infantil organizam suas principais pautas:
- Concurso público para contratação de mais professoras/es da educação infantil;
- Cumprimento da hora-atividade, para que as/os professores/as possam planejar as atividades com as nossas crianças e garantir o atendimento da comunidade. Qualificando a educação infantil;
- Valorização da carreira e pagamento do piso salarial das/os professoras/es da educação infantil. Sabemos que a Prefeitura não está cumprindo com o que prevê a legislação nacional, não pagando os 7,53% que é direito das/os profissionais de Curitiba.
- Construção de novos CMEIs e reforma das unidades já existentes. Ampliar a rede é essencial para acabar com a fila de espera e assegurar o direito de crianças e famílias ao acesso gratuito à educação infantil.
- Inclusão verdadeira de crianças com deficiência nos CMEIs e escolas, com a presença de profissionais qualificados e estrutura física adequada e preparados para o atendimento.
- Adoção de políticas efetivas de combate ao assédio moral sofrido pelas/os profissionais da educação. Sabemos que situações de assédio tem levado ao adoecimento das/os profissionais, prejudicando o serviço ofertado e a saúde dos mesmos.
Uma luta que é maior: a campanha “Curitiba Merece o Melhor”
O ato deste domingo integra a campanha “Curitiba Merece o Melhor – O Servidor Público Merece o Melhor”, lançada pelo SISMUC no último sábado (23), também na Rua XV de Novembro. A iniciativa reuniu servidoras e servidores públicos municipais para destacar a importância da qualidade do serviço público, das condições dignas de trabalho e da valorização da categoria.
A campanha, que seguirá nas ruas, nas redes sociais e nos locais de trabalho, tem como objetivo cobrar do prefeito Eduardo Pimentel e de sua gestão o cumprimento das promessas feitas tanto aos trabalhadores quanto à população.
Mais informações:
Camile Cristina (41) 99163-9276
Comunicação SISMUC (41) 99661-9335