Coletivo da FCC reforça luta por valorização com foco em reajuste salarial de 22,79%

Categoria se mobiliza pela recomposição salarial, além de reforçar demandas por concurso público, fim das terceirizações e maior orçamento para a cultura em Curitiba

Na noite da última terça-feira (08/07), servidoras e servidores da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) se reuniram no Coletivo da categoria, espaço histórico de organização e mobilização. O encontro teve como pauta central a luta por valorização salarial, diante da exclusão dos trabalhadores da carreira artístico-cultural da Lei Municipal nº 16.222/2023, que concedeu reajustes para outras 11 carreiras do funcionalismo municipal.

O texto legal, com efeitos retroativos a junho de 2023, reajustou os vencimentos básicos de 2.898 servidores, com índices que variam de 5,17% a 34,43%, a depender da função. Entre os beneficiados, estão agentes administrativos (22,79%), jornalistas (22,44%), fiscais, atendentes de munícipes e técnicos de segurança no trabalho. No entanto, os 110 servidores da carreira artístico-cultural da FCC foram deixados de fora, apesar de sua atuação direta na construção da política cultural da cidade.

A categoria reivindica que esse mesmo percentual — sobretudo o 22,79% aplicado a funções semelhantes — seja estendido aos seus salários, como forma de equidade e reconhecimento. Muitos dos trabalhadores seguem em atividade mesmo já em condições de aposentadoria, por falta de reposição qualificada e pelas perdas salariais no desligamento.

Hoje, a FCC conta com 176 servidores municipais, sendo 110 da carreira artístico-cultural e 71 da administrativa. Esses profissionais são responsáveis por manter em funcionamento mais de 100 equipamentos culturais públicos, como museus, cinemas, casas da memória, bibliotecas e regionais culturais. Ainda assim, a cultura representa menos de 1% do orçamento municipal. Em 2024, segundo a Lei Orçamentária Anual (LOA), foram aprovados R$ 109,8 milhões para a FCC, o que corresponde a apenas 0,71% dos R$ 15,3 bilhões do total orçado para o município.

A cobrança é para que, no mínimo, 2% do orçamento municipal seja destinado à cultura, conforme promessas da gestão e debates já realizados na Câmara Municipal. Também há proposta de ampliação para 3%, cujo andamento precisa ser monitorado pela sociedade.

A realização de concurso público em 2025, já anunciada para 11 cargos, também foi debatida como medida urgente. A FCC vive um esvaziamento histórico de seu quadro efetivo. Em 1994, quando foi realizado o último concurso — ainda na primeira gestão do atual prefeito Rafael Greca — havia 636 servidores. Hoje, são menos de 180. Mais de 60% das atividades-fim da fundação estão terceirizadas, o que compromete a memória institucional e a continuidade das ações culturais públicas.

A categoria defende o fim gradual da terceirização, com abertura de novas vagas e valorização de quem já atua na rede. Também reforçou a necessidade de que os cargos de coordenação e chefia sejam ocupados por servidores de carreira, reconhecendo a formação, a experiência e o vínculo com a política pública cultural.

A demanda por um Plano de Carreira específico também foi lembrada como parte do conjunto de medidas estruturantes necessárias para fortalecer a fundação, embora seja um tema que requer atualização frente ao cenário atual da categoria.

A mobilização continua. O sindicato seguirá pressionando a gestão municipal e os parlamentares para garantir avanços. Os servidores da cultura estão empenhados: valorizar quem faz cultura é investir em uma cidade mais democrática, crítica e humana.

Nota de pesar João Alves

O SISMUC manifesta profundo pesar pelo falecimento do servidor aposentado João Alves, aos 81 anos. Mecânico da Prefeitura de Curitiba, João dedicou boa parte de sua vida ao serviço público, atuando no setor de obras e deixando sua contribuição para

Leia mais »