Greca fez um ano autoritário

Vereadora experiente e professora da rede municipal de ensino, Josete Dubiaski (PT) avaliou o primeiro ano da nova gestão de Greca. Para ela, o ano está marcado por “atitudes autoritárias do prefeito e também da postura submissa da maioria das vereadoras e vereadores”. Confira essa entrevista exclusiva publicada na revista Ágora, em parceria com o Porém.net.

Ágora/Porém | Quantos pedidos de informação a senhora fez ao executivo e os temas abordados?

Professora Josete | Neste ano, encaminhamos 17 pedidos de informações. Desde o “Balada Protegida” aos recursos da Prefeitura Curitiba, passando por terceirizações via Organizações sociais também.

Ágora/Porém | Do governo Fruet para o Greca, qual é a mudança do Legislativo com o Executivo? A Casa tem uma própria ou atua conforme os interesses do prefeito?

Professora Josete | Infelizmente, o Legislativo está mais submisso ao Executivo. Esta já era uma postura presente desde o primeiro mandato em que atuo como vereadora. No entanto, acredito que a posição dos vereadores piorou. Os projetos do Executivo são aprovados com pouquíssimos questionamentos que partem apenas do Bloco de Oposição. Raramente a base de apoio faz indagações.

Foto: Joka Madruga/SISMUC

Ágora/Porém | Muitas votações importantes com transformações na vida de servidores públicos e aumento de impostos ocorreram em regime de urgência. Isso inviabilizou debates aprofundados? Os vereadores votaram conforme orientação de bancada e podem ter votado sem ter todas as informações

Professora Josete | Certamente. Como grande parte dos vereadores tem uma postura passiva, os regimes de urgência dificultam ainda mais o debate e o aprofundamento dos temas. Acredito que muitos vereadores votaram sem ter todas as informações necessárias e a compreensão do impacto destes projetos na vida das servidoras e servidores. Em relação aos projetos que previam aumento de impostos, houve a votação do projeto que tratava da desvinculação da taxa de lixo do IPTU. Os projetos que tratavam de alterações nas alíquotas do ITBI e ISS foram retirados pelo Prefeito, foram reapresentados agora no mês de novembro (e aprovados), juntamente com o projeto que prevê a revisão da Planta Genérica do município e consequente reajuste do IPTU. Já foi aprovado regime de urgência dos projetos que dispõem sobre o ISS e revisão da Planta Genérica.

Ágora/Porém | Em 2016, na Lei Orçamentária Anual, as contas de município estavam em dia, inclusive com reajuste dos servidores garantidos. O que mudou, na opinião da senhora, que “a fonte secou” em 2017, salários foram congelados e carreiras estagnadas? Faltou transparência na apresentação dos números

Professora Josete | É um conjunto de coisas. Há problemas de arrecadação no município de Curitiba, mas também há falta de transparência. Algumas informações só se tornaram públicas quando Gustavo Fruet se elegeu e não houve a sucessão do mesmo grupo político à frente da gestão. Apurou-se que havia dívidas não registradas no orçamento, ou seja, não havia recursos para o pagamento das mesmas. Greca apresentou um crédito adicional (proposta de alteração da Lei Orçamentária) no valor de dois milhões e cem mil reais, com dados contraditórios, não permitindo uma análise precisa para a comprovação das dívidas do município. Outro aspecto a ser pontuado diz respeito às prioridades estabelecidas por uma gestão, obviamente a valorização das servidoras e servidores municipais não é prioridade para o Prefeito Rafael Greca, que aplicou o Ajuste Fiscal, mexendo no bolso dos servidores.

Ágora/Porém | A gestão de Greca é voltada para os empresários? Contratos no transporte, lixo, alimentação são mantidos e renovados acima da inflação

Professora Josete | Sim. Os grandes contratos têm sido renovados acima da inflação, por exemplo: Risotolândia teve um acréscimo de 14,58% no período aproximado de um ano, a passagem do transporte coletivo teve um acréscimo de 12,12%. Além disso, outros grandes contratos como limpeza, tecnologia foram renovados sem licitação, com aval do Tribunal de Contas (Contratos de Emergência). No caso do ICI (tecnologia), o contrato é de gestão e, segundo a Prefeitura Municipal, não houve nenhuma empresa interessada em participar e apresentar propostas.

Conflito em votação na Ópera de Arame. Foto Gibran Mendes/CUT


Ágora/Porém | Assim como os servidores estaduais, os municipais foram alvo de massacre na Ópera de Arame. Que lembranças a senhora traz das ocupações e da violência do Estado?

Professora Josete | Foram dois momentos de enfrentamentos, muito duros. Acredito que, nacionalmente, ocorre uma criminalização dos movimentos sociais, incluindo o movimento sindical. Temos acompanhado ações violentas em diversos estados e municípios. No Paraná, temos um governador que não dialoga e impõe a retirada de diversos direitos das servidoras e servidores estaduais. Em Curitiba, não é diferente. Desde o primeiro mês da Gestão de Greca temos acompanhado uma série de medidas autoritárias, como o cancelamento da Oficina de Música, evento que já era tradicional em nosso município. Em seguida, a antecipação do reajuste da tarifa do transporte coletivo, no mês de fevereiro. A partir daí, anuncia o Pacote de Ajuste Fiscal, onde seu alvo principal são as servidoras e servidores, não dialoga em momento algum com as entidades sindicais e, de forma autoritária, impõe medidas que vão desde o congelamento dos salários e carreiras até a criação de um fundo complementar de previdência.

As ocupações e enfrentamentos que ocorreram na Câmara Municipal foram consequência das atitudes autoritárias do Prefeito e também da postura submissa da maioria das vereadoras e vereadores. O desfecho foi trágico, envolvendo um enorme efetivo, tanto da Guarda Municipal como da Polícia Militar. Vereadores, aos invés de mediar a situação, preferiram ficar ao lado do Prefeito, refugiando-se na Ópera de Arame para votar “em segurança”. Os representantes do povo fugiram da Casa do Povo. Lamentável! Diante de tanta barbárie, só nos resta a indignação!

Nota de pesar: Maria Denize Padilha

Com profundo pesar, o SISMUC comunica o falecimento da professora Maria Denize Padilha, ocorrido no último sábado, 21 de fevereiro, aos 63 anos. Lotada há quase 30 anos no CMEI Itacolomi Sabará, Maria Denize construiu uma trajetória marcada pela dedicação

Leia mais »