Economia Solidária gera renda, dignidade e esperança na Vila Sabará

“Não tenho nada, mas tudo o que tenho é nosso”. Foi
assim que um menino da Ocupação Tiradentes, uma das quatro comunidades surgidas
a partir da luta por moradia na Cidade Industrial de Curitiba, traduziu a
relação de solidariedade entre as pessoas em um lugar onde falta tudo: não há
asfalto, iluminação pública, rede pública de água, luz ou esgoto. Não há
moradia digna e, por vezes, também não há comida.

Neste cenário, trabalhar de forma cooperativa pode ser um dos caminhos na busca
pela dignidade. Assim surgiu a idéia de levar para as ocupações uma padaria
comunitária. Esse se torna o grupo de número 31 a integrar a Rede de Padarias
Comunitárias, que reúne grupos de economia solidária em Curitiba, região
metropolitana e cidades do interior do Paraná.

O processo parece simples: basta reunir um grupo de pessoas que estejam
interessadas em trabalhar de forma cooperativa e auto organizada. Mas na
prática pode ser bastante complicado. Antes de mais nada é necessário
desconstruir aquilo que se aprende desde sempre: que há a necessidade de
algumas pessoas mandarem e outras obedecerem. Esta não é, por acaso, a lógica
que mantém o sistema capitalista? Um patrão, vários empregados. Um decide e
todos os outros obedecem.

Pois, no projeto das padarias comunitárias, esse processo se transforma quando
as pessoas envolvidas concordam em mudar suas relações. O primeiro passo, foi
reunir as pessoas interessadas: via de regra mulheres que têm dificuldade em
entrar e se manter em um trabalho formal.

As razões são muitas: pouca escolaridade, dificuldade em conseguir
vagas ou acompanhar as crianças na escola, já que o cuidado dos filhos, embora
seja responsabilidade do pai e da mãe, quase sempre recai somente sobre as
mulheres, que acabam, quase sempre, em subempregos na área de prestação de serviços.

Pois bem, após reunido o grupo, inicialmente formado por três
pessoas, o próximo passo foi participar das reuniões mensais do Conselho Gestor
da Rede de Padarias Comunitárias. Enquanto isso, era necessário definir um
lugar que reunisse as condições de ser a sede da padaria. E aí a integração entre aqueles que pouco ou
nada têm, mas tudo dividem, foi decisiva mais uma vez. O grupo da Ocupação
estabeleceu parceria com uma associação de moradores, que também surgiu a
partir da luta pela moradia, a Associação Moradias Sabará I. No processo,
conseguiu integrar novos cooperados e se fortaleceu: agora, sete pessoas
compõem o grupo da nova padaria, vindas das Ocupações e da Vila Sabará.

A sede da Associação ainda precisa de uma reforma para adequação às regras da
vigilância sanitária, mas é questão de tempo para que os equipamentos estejam à
disposição e a nova padaria comece a produzir.

Não se trata apenas de garantir uma fonte de renda para as famílias envolvidas,
é uma forma de debater a sociedade e as relações sociais que sempre nos foram
impostas. É a oportunidade de construir novas relações e assim, passo a passo
ir formando a nova sociedade, essa sim, sem patrões e empregados. Com trabalho
para todas e todos, mas sem a exploração do trabalho.

Em rede 

As Rede de Padarias Comunitárias nasceu em 1996, sendo seu berço a Paróquia
Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. E surgiu a
partir da necessidade mais básica: lutar contra a fome. Os pães eram vendidos e
a renda destinada para a compra de cestas básicas distribuídas para cerca de 20
famílias em situação financeira muito difícil.

Os frutos desse trabalho já estão sendo colhidos: são 30 grupos de Economia
Solidária espalhados em Curitiba, Região Metropolitana, Lapa e Irati com
padarias em funcionamento. Produzem pães, doces e bolos. Trazem renda para as
famílias e esperança na luta e na organização do povo.

CMEIs e escolas sofrem com defasagem de profissionais

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