A luta pelo Brasil

Nos dias
8, 9 e 10 de maio Curitiba viu sua rotina ser alterada. Espaços públicos, como
praças e terrenos, foram ocupados por pessoas oriundas de todas as regiões do Brasil.
Na pauta a democracia e os retrocessos sociais. Caravanas de trabalhadores do
campo e da cidade chegavam pelas rodovias. Pessoas que se organizaram em grupos
de amigos também chegavam pelo chão ou pelo ar.

Segundo a
Frente Brasil Popular, responsável pela organização do evento, aproximadamente
400 ônibus chegaram à Curitiba. Contudo, o número é certamente maior. Parte das
pessoas que vieram à capital paranaense o fizeram de forma autônoma. “A
organização também partiu de iniciativas individuais”, explicou o coletivo em
nota oficial.

Nestas 72
horas uma série de atividades foi realizada na capital paranaense. Debates
relacionados à reforma da previdência e trabalhista. A democratização da
comunicação. A reforma agrária. Os conflitos envolvendo a lei e as decisões
judiciais. Arbitrariedades na Lava-Jato. Especialistas de todo o Brasil
participaram destas atividades que foram invisibilizadas pela mídia. Mais de 50
mil pessoas participaram dos eventos organizados por diversas entidades e
coletivos. Enquanto isso, na grande imprensa, o tema era apenas um: o
depoimento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao magistrado Sérgio
Moro.

A estratégia
de estabelecer um duelo, envolvendo duas pessoas, faz parte da tentativa de
minimizar a Jornada de Lutas pela Democracia (nome dado ao evento) como algo
individual, centrando na figura do ex-presidente Lula. Desta forma cria-se um clima para
não entrar em temas importantes como as reformas propostas pela gestão de
Michel Temer e todos os retrocessos sociais que acompanham as mudanças que
tramitam no Congresso Nacional”, explica uma das coordenadoras da Frente Brasil
Popular no Paraná e também nacionalmente, Regina Cruz.

Figuras
como a do intelectual e diplomata Samuel Pinheiro Guimarães Neto e o jurista
Marcello Lavenère ficaram anônimas em meio à multidão. Fontes em potencial para
temas que atualmente estão em pauta no Brasil. Permaneceram em silêncio. Não
foram procurados e talvez tampouco identificados. A pauta que interessava era
somente a guerra jurídica travada pela equipe da Operação Lava-Jato e Sérgio
Moro contra o ex-presidente. Quando muito, relatos relacionados ao trânsito e
as manifestações, além da curiosidade sobre um acampamento que reuniu mais de
cinco mil pessoas em pleno centro de Curitiba.

Acampamento

Localizado
em um terreno na região central de Curitiba, o acampamento pela democracia,
como foi batizado pelos seus idealizadores, recebeu pessoas de diversas regiões
do Brasil. Em sua maioria trabalhadores rurais que deixaram o lar e seu
trabalho para lutar pelo que consideram um Brasil justo para si mesmo e para
seus filhos.

Um deles
era Carlos Fernando Ortiz, de 52 anos, que deixou a esposa em Santana do
Livramento (RS), onde vive. Trouxe consigo o pequeno Ernesto Che Guevara, seu
filho, de três anos de idade. Percorreram quase 1.200 quilômetros. Mas por qual
motivo?

“Nós
levamos a luta de classes para onde vamos e sempre tivemos essa consciência.
Estamos aqui para não deixar que aconteça o que estão tentando fazer com o povo.
Pode ser que não seja possível (barrar as reformas), mas estamos na luta porque
é uma causa justa. O que vamos deixar para meu filho e
meus netos?”, questionou.

Ortiz
vendia “rapaduras” no acampamento. É a forma que encontrou de ganhar a vida. Os
doces são produzidos pela esposa no assentamento onde mora. “Sempre trago para
vender. Nos últimos dois anos estou trabalhando apenas com isso. Fiz quatro
pontes de safena e estou impossibilitado de ‘trabalhar no pesado’. A mulher faz
e eu o guri vamos vender”, explicou.

Com o
problema de saúde que carrega Ortiz tem motivos de sobra para ficar preocupado
com as reformas, sobretudo a da previdência. “Tchê, fica ruim demais. Agora já
têm médicos lá em Livramento que já deram um papel falando que estou impossibilitado
de trabalhar e mesmo assim me negam a perícia. Estou com o INPS (INSS) na
justiça e enquanto isso vamos levando a vida e vendendo rapadura”,
comentou.

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A reportagem na íntegra estará na edição da revista Ágora desse mês. 

A estratégia de estabelecer um duelo, envolvendo duas pessoas, faz parte da tentativa de minimizar a Jornada de Lutas pela Democracia (nome dado ao evento) como algo individual, centrando na figura do ex-presidente Lula

Nós levamos a luta de classes para onde vamos e sempre tivemos essa consciência. Estamos aqui para não deixar que aconteça o que estão tentando fazer com o povo. Pode ser que não seja possível (barrar as reformas)

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