Sem industrialização não há desenvolvimento

Ágora é a revista mensal do Sismuc. Com ela contribuo
regularmente. Em sua edição número 12, de dezembro de 2016, ela fez uma
abordagem sobre a desindustrialização brasileira. Como a questão é grave, quero
permanecer no tema, a partir de algumas leituras recentes.

Se este processo teve em Getúlio Vargas o seu realizador,
Roberto Simonsen (1889 – 1948) foi o seu idealizador. Ele foi um grande
industrial, grande intelectual, cumpriu missões políticas e foi senador e
presidente da Fiesp. Os seus estudos se voltaram para além dos economistas
ingleses, defensores do livre mercado, considerando que na análise econômica,
também os fatores históricos precisam ser considerados e não apenas os de ordem
econômica. Vejam o título da dissertação, entre a história e a economia.
Voltou-se assim para o estudo dos economistas alemães, pois a Alemanha, ao
contrário da Inglaterra, era um país de industrialização tardia. Na Inglaterra primeiro ocorreu a industrialização e depois se formou a nação. Já na Alemanha,
primeiramente se formou o Estado/Nação, e este a impulsionou. Segundo estes
economistas, não existe a possibilidade de desenvolvimento e autonomia de uma
nação, sem o processo de industrialização.

Para desenvolver este processo, a Alemanha contou com os
conceitos de nacionalismo e de protecionismo para o por em execução. Simonsen,
vendo que tínhamos condições históricas semelhantes às alemãs, isto é, a
industrialização tardia, percebeu que deveríamos levar em conta estes
economistas e não os ingleses. Superou suas divergências de paulista, com
relação a Vargas e passou a ser seu colaborador. Lançou assim os fundamentos do
nacionalismo e do protecionismo brasileiro, que promoveu, ao longo de cinco
décadas (1930 – 1980), a nossa industrialização básica. Foram anos de grande
crescimento econômico.

Isso não se deu de forma pacífica. Houve grandes debates,
especialmente, os que Simonsen travou com Eugênio Gudin, defensor do
liberalismo em sua concepção ortodoxa. Li, em outros livros, que o Brasil tinha
uma espécie de modelo próprio de desenvolvimento, isto é, que o Estado deveria
ser o grande indutor da industrialização e, sempre que adotava este modelo, o
crescimento econômico vinha como resposta. Já o contrário acontecia, quando
adotava o modelo da espontaneidade dos mercados, como ocorreu nos governos
Dutra, Castelo Branco e especialmente nos anos 1990, com Collor e Fernando
Henrique Cardoso.

Pois bem. Hoje os dados sobre a desindustrialização são
alarmantes. Padecemos da chamada doença holandesa, ao cumprir a dita vocação
natural de nossa economia, para a agricultura. Bresser Pereira, em seu
magnífico livro “A construção política do Brasil”, nos apresenta números. Em 1984
a participação da indústria no PIB brasileiro era de 35,8%. Já em 2011 ela
representava apenas 15,3%. Em 1986 ela contribuía com 27% dos empregos e em
2009 eles foram reduzidos para 17,9%. Ainda em 2006, os produtos manufaturados
nos davam um saldo positivo na balança comercial, de US$ 29,8 bilhões, saldo
que se tornou negativo em 2011, na ordem de US$ 48,7 bilhões. As commodities
compensaram a diferença, especialmente as do setor agrícola.

Bresser Pereira também nos alerta que em uma economia
globalizada, para manter as condições de competitividade industrial dentro dos
parâmetros de decência, dois fatores ganham destaque: A política de juros e a
política de câmbio. São exatamente estes dois, os fatores responsáveis pela
desindustrialização em nossos dias. Moeda valorizada pode ajudar a combater a inflação,
viajar para Miami, mas com certeza que ajuda a promover a desindustrialização
.
E quando, em 2013, sob o governo da presidente Dilma, os juros baixaram para
níveis relativamente civilizados, 7,5% da taxa SELIC e houve uma desoneração de
impostos, superior a cem bilhões de reais, estes foram aplicados mais em
atividades rentistas do que em tecnologia visando a competitividade. E isso nos
faz perguntar sobre a natureza das atividades e finalidades da Fiesp. Ela hoje
representa interesses industriais ou interesses de rentistas?

Em 10 de janeiro, em artigo na Folha de S.Paulo, Benjamin
Steibruch, diretor da CSN e um dos diretores da Fiesp,
faz, simultaneamente, um lamento e um apelo pela salvação da indústria. Assim
ele termina o seu texto: “A indústria brasileira precisa de socorro, sem
preconceitos: apoio à acumulação de capital, acesso a crédito com juros
civilizados, programas de compras governamentais, políticas macroeconômicas e
fiscais estimuladoras de crescimento, taxas de câmbio que deem competitividade
à produção e escolha de setores com prioridades e sob controle de
desempenho”.

Para terminar, mais duas coisas. Depois das desonerações de
2013, a Fiesp passou a fazer intensa campanha pelo impeachment/golpe contra a
presidente Dilma Rousseff e, para tal finalidade, passou a produzir os gigantes
Patos amarelos. Hoje apoia o governo Temer e as suas reformas, especialmente a
reforma na legislação trabalhista e isto me faz lembrar mais uma vez de Roberto
Simonsen. Dizia ele que a industrialização só se torna possível com um forte
mercado interno, com a garantia do pagamento de bons salários. Lembrando ainda,
que a Previdência Social é um dos fatores mais importantes de estabilização
deste mercado interno. Hoje, se pensarmos na grandeza de nossa nação, não
podemos nos conformar em ser a grande fazenda do mundo, olhando passivamente
para a China como a sua grande fábrica. Vejam aí o fenômeno Trump.

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