Reforma ou extinção?

A previdência social exerce o papel de dar segurança e condições de existência às pessoas impossibilitadas de trabalhar. Contribuímos ao longo do período ativo de trabalho e, ao envelhecer ou em caso de perda da capacidade de trabalhar, temos o direito de receber benefícios sociais a fim de continuar vivendo de forma digna. O projeto de reforma da previdência (PEC nº 286/2016), proposta por Michel Temer,vai acabar com o direito de envelhecer com dignidade e são as mulheres que mais sofrerão com a “reforma”.

A PEC nº 286/2016 estabelece como idade mínima de aposentadoria os 65 anos, com obrigatoriedade de, pelo menos, 25 anos de contribuição, além disso, a proposta elimina a aposentadoria por tempo de contribuição. Ao aposentar-se com 65 anos de idade e 25 anos de contribuição, a média do benefício seria de 76% da arrecadação individual, com aumento de 1%por ano de contribuição a mais dos 25 anos mínimos. Para chegar ao valor de 100%, deve-se contribuir por 49 anos.
Só que no Brasil as mulheres ganham, em média, 25%menos que os homens, têm mais rotatividade nos empregos (a média de permanência no emprego entre as mulheres é de 37 meses, enquanto a média entre os homens é de 41,7 meses),apresentam maiores índices de desemprego (são 56,5%dos desocupados) e ocupam a maior parte dos trabalhos informais(35,5% das mulheres são empregadas registradas, contra 43,9% dos homens). O que torna menor a soma da contribuição e implica benefícios menores.
As duplas ou triplas jornadas de trabalho das mulheres acarretam exaustão precoce e deterioração da saúde física e mental. A elevação da idade de aposentadoria prolonga o ciclo de desgaste e torna inviável a reprodução da vida familiar com qualidade, uma vez que o valor médio do benefício é rebaixado brutalmente em relação ao salário recebido, o que aumenta a necessidade de continuidade no mercado de trabalho, obrigando as mulheres idosas a continuarem trabalhando. Assim, corremos o sério risco de viver em um país com uma legião de idosas e idosos esgotados e miseráveis.
A justificativa para aprovação da equiparação é de que há praticamente igualdade de gênero no mercado de trabalho e que alcançaremos a equiparação em breve. Não é o que mostramos dados citados. Além disso, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), se seguirmos o mesmo ritmo dos últimos tempos, somente em 75 anos haveria equiparação salarial entre os sexos na América Latina.
A medida não é isolada, o governo soma a reforma previdenciária com a reforma trabalhista (que representa uma tentativa de dar fim aos direitos trabalhistas) e o congelamento dos gastos com políticas sociais. E, ainda, acaba com as parcas iniciativas de políticas públicas para as mulheres, extinguindo a Secretaria de Política para as Mulheres.
Apesar dos avanços conquistados nos anos recentes pelas lutas feministas, ainda há muita desigualdade, que só vai ser transformada com mobilização social e resistência para barrar possíveis retrocessos. Barrar esta reforma é uma tarefa de todas e todos nós!

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*Texto escrito com Paula Cozero, militante da Marcha Mundial de Mulheres, advogada e mestre pela UFPR

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O SISMUC manifesta profundo pesar pelo falecimento do servidor aposentado João Alves, aos 81 anos. Mecânico da Prefeitura de Curitiba, João dedicou boa parte de sua vida ao serviço público, atuando no setor de obras e deixando sua contribuição para

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