Família alerta sobre espetacularização de notícias envolvendo a menina Rachel Genofre

A menina Rachel Maria Genofre, de apenas 8 anos, foi violentada sexualmente e assassinada de maneira brutal no dia 3 de novembro de 2008. O corpo foi encontrado em uma mala na Rodoferroviária de Curitiba. Depois de 8 anos, o caso ainda não foi solucionado e o assassino circula livremente pelas ruas. Além da ineficiência da polícia civil, da Delegacia de Homicídios em Curitiba, da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Paraná(Sesp), entre outros órgãos estaduais  que atuam na resolução do caso, a família hoje convive com um outro problema. Nos últimos meses, uma onda sensacionalista e mística surgiu em programas populares de TV envolvendo o caso Rachel Genofre, o que vem atrapalhando o processo investigativo.

Segundo Maria Cristina Lobo Oliveira, mãe de Rachel, há alguns programas de TV que vem utilizando imagens da sua filha em situações que desrespeitam os familiares, iludem os telespectadores e prejudicam as investigações. “O que temos visto nos vídeos desses programas são imagens de pessoas que dizem terem tido contato com o espírito de Rachel por meio de mentores espirituais que reproduzem cartas ditadas ou psicografadas, entre outros casos semelhantes. Com base nisso, surgem teses, linhas investigativas, juízo de valor a respeito da minha filha, do assassinato e da minha família”, protesta Maria Cristina.

Para ela, o crime é bárbaro e a imagem da Rachel não deve ser utilizada para comoção de outras pessoas ou para explorar a fé alheia. “Quando há algo consistente relacionado ao caso, somos os principais interessados. Explorar histórias do universo místico não nos ajuda, pois não há fundamentos convincentes para nos dizer que é possível solucionar esse caso. São especulações e isso atrapalha a investigação. A polícia tem de trabalhar com elementos concretos, ou seja, com a identificação do DNA do culpado, que é única prova para se chegar ao assassino. Não é por meio de viés sensacionalista, da espetacularização desse caso que a polícia chegará a algum lugar. Pelo contrário, isso pode até levar a erros ainda maiores e irresponsáveis”, alerta a mãe de Rachel.

Além da mãe, os familiares da menina afirmam que não vão ceder  a especulações e fazem um apelo para que esse tipo de sensacionalismo tenha fim. Para a família, o uso da história é desrespeitoso com a memória de Rachel e, principalmente, muito doloroso para a mãe da menina, que revive esse crime cruel a cada vez que o caso ganha visibilidade. “A Rachel morreu. Buscamos agora a  justiça. No entanto, quantas meninas mais precisam ser encontradas em malas, matagais, em latas de lixo para que Estado crie programas de combate à violência contra mulheres e meninas e de prevenção à pedofilia? “, questiona Maria Cristina.

Histórico do Caso Rachel Genofre – a família divulgou um texto nas redes sociais informando o desconforto em relação ao uso da imagem da menina. Neste mesmo documento, a mãe e a tia de Rachel, Maria Carolina Lobo Oliveira, elencaram as seguintes observações atualizadas a respeito do caso:

  • “8 anos de impunidade. Rachel foi violentada sexualmente e assassinada de maneira brutal em 2008 e no momento não há evidências, pistas ou uma linha consistente de investigação.
  • Não há investimento do Estado para a resolução do caso. Em uma delegacia cheia de crimes, a SESP retirou o investigador exclusivo para o caso, ou seja, não há prioridade para a solução deste crime brutal, que se dilui nas estatísticas de uma das capitais mais violentas do país.
  • Diante de um sequestro, seguido de assassinato, de uma criança, no Centro de Curitiba, com centenas de crianças na mesma situação de fragilidade da Rachel, o Estado retira direitos, as parcas políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente; estão sendo desmontadas em escolas fechadas e programas de contraturno, como o Mais Educação.
  • Não há capacitação dos profissionais da Educação e Saúde em atendimento à violência contra criança e adolescentes. Instâncias como Conselho Tutelar, assistência social, para encaminhamento e atendimento estão cada vez mais burocráticas e distantes das pessoas.
  • Não existem campanhas de conscientização, esclarecimentos, prevenção e combate à pedofilia por parte do Estado; na saúde, educação ou segurança pública.
  • A prefeitura de Curitiba desmontou a única secretaria que ousava cumprir o papel de combate à violência contra meninas e mulheres, a secretaria da Mulher.
  • Dentro do real, dos fatos, espero que a imprensa venha contribuir com a cobrança efetiva para que outras crianças e adolescentes, meninas cheias de sonhos e anseios, com suas vidas roubadas, suas famílias destruídas, tenha um fim. Ao menos que o Estado (prefeitura e governo) realize um esforço para que casos como este nunca mais aconteçam”.

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