Os desafios da comunicação sindical no Brasil

A comunicação cumpre um papel
fundamental em nossas sociedades. É através dela que estabelecemos uma conexão
uns com os outros. Comunicar-se é prática tão corriqueira que sequer nos damos
conta dela ao realizar essa tarefa. Fala, escrita, gestos, símbolos, sinais. No
café com amigos, lendo jornal, assistindo à TV, ouvindo rádio, mexendo no
celular, estamos completamente rodeados pela comunicação. Somos bombardeados
por milhares de mensagens e informações todos os dias. O grande desafio moderno
é darmos sentido a essa comunicação. Como fazer para sermos ouvidos em um mundo
onde cada vez mais as pessoas só querem falar? Como dialogar com aqueles com
quem normalmente não temos contato?

A
comunicação sindical começou no Brasil no início do século passado com a confecção
dos primeiros jornais operários que eram distribuídos gratuitamente nas portas
das fábricas, organizando os trabalhadores para os primeiros enfrentamentos com
os donos das fábricas por melhores salários e condições de trabalho. Não há
dúvidas de que essa forma de comunicação se mostrou efetiva à época e
proporcionou condições para que a classe trabalhadora conquistasse uma série de
direitos. Contudo, os modelos e métodos de trabalho, bem como as formas de
comunicação, se complexificaram drasticamente ao longo das últimas duas décadas
e o movimento sindical brasileiro ainda busca reorganizar suas estratégias para
conseguir dialogar com o conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras: a
população em geral.

Falhamos
na tarefa de construir um sentimento de unidade classista nos trabalhadores
brasileiros. Mantivemos por anos as estratégias de comunicação sindical do
século passado, com uma produção demasiadamente corporativa pautada em
interesses imediatos. Ficamos no famoso “falando para nós mesmos”. Enquanto
isso, a população era informada (e formada) pela mídia mais oligárquica e
tacanha do planeta: os veículos controlados por meia-dúzia de grandes famílias
no Brasil, cujos interesses políticos em defesa das elites nacionais e
estrangeiras inundam cada linha de seus editoriais.

O
movimento sindical não pode ter dúvidas sobre a relevância da mensagem que
carrega. Defendemos outro mundo possível: uma sociedade justa, igual e fraterna
para todos, sem explorados, nem exploradores. A forma de levar essa mensagem,
todavia, é nosso grande desafio.

Percebemos
que nossas estratégias estavam erradas. Que de nada adiantava ter uma ótima
mensagem para se compartilhar se não fizéssemos isso através dos meios certos.
E, principalmente, que não iríamos mudar o caráter dos veículos da imprensa
sindical do dia para a noite. Por isso, começamos a buscar novos meios. Meios
de massa. Formas de dialogar, aberta e irrestritamente, com o conjunto da
sociedade. Assim ganharam força as iniciativas de jornais populares distribuídos
gratuitamente pelas ruas das grandes cidades. Produções audiovisuais,
veiculadas pela internet ou em TVs Comunitárias. Produção colaborativa de
conteúdo, aproveitando o melhor de cada profissional de comunicação de nossas
entidades. Transmissão ao vivo de eventos, atos e atividades.

Nosso
próximo passo é avançar na unificação da imprensa sindical, ampliando a
produção de conteúdo colaborativo e definindo estratégias de massificação desse
conteúdo. De nossas direções sindicais esperamos visão estratégica, comprometimento
e apoio financeiro. Só assim, um dia, cada palavra que dissermos fará eco e
calará fundo no coração de cada trabalhador e trabalhadora em nosso país.

Nota de pesar José Haroldo Ludewig

É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento de José Haroldo Ludewig, servidor que dedicou parte significativa de sua vida ao serviço público. José iniciou sua jornada como Auxiliar de Serviços Escolares em 2012, na Escola CEI Lina

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