Transformar a democracia num mecanismo formal de dominação burguesa tem sido uma característica marcante na história política do Brasil. Isto implica a constituição de uma democracia restrita, conservadora e que não garante a efetivação plena de direitos sociais básicos do povo brasileiro. Certamente um dos pilares fundamentais dessa democracia restrita é o sistema político elitista de nosso país, que ao longo dos últimos 100 anos foi moldado em torno de um arcabouço jurídico-político que contribuiu para lançar as bases para a hegemonia burguesa.
O sistema político brasileiro, além de historicamente ser pautado pelo peso do poder econômico, é avesso à participação popular. Formou-se um conjunto de instituições sem compromisso com a soberania nacional e com as demandas populares. Esse padrão conservador de reprodução da sociedade burguesa passa por uma profunda crise nesse momento histórico. As manifestações de junho denunciaram o apodrecimento das instituições da república e reafirmaram a vigência do que Caio Prado Júnior chamava de crise de destino do Brasil.







