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  • 27/11/2020 Saúde

    Em menos de duas semanas, Greca fecha duas UPAs em Curitiba

    Em menos de duas semanas, Greca fecha duas UPAs em Curitiba
    Arte: CTRL S
    Fechamento das UPAs é estratégia para mascarar a realidade, com o aumento do número de casos, estamos a um instante do colapso

    No último dia 20, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Fazendinha foi fechada para ser transformada em leitos hospitalares para receber casos do Hospital do Idoso Zilda Arns (HIZA) e da antiga Maternidade Bairro Novo. Menos de uma semana depois, já se vê que a estrutura da UPA não oferece as condições mínimas necessárias, afinal de contas, não foi construída para funcionar como hospital. Enquanto isso, a população fica desassistida dos serviços de urgência e emergência.

    Os problemas são inúmeros. A UPA não tem sequer banheiros e chuveiros suficientes para esse tipo de atendimento, fazendo com que a equipe de enfermagem precise se desdobrar ainda mais para realizar cuidados necessários. Isso sem falar da falta de servidores para atender os pacientes e da ausência de estrutura como oxigênio em toda a unidade e leitos mais adequados. E claro que o fechamento da UPA não foi o suficiente para que os leitos do Hospital do Idoso continuassem vazios, afinal de contas, os números de casos de coronavírus crescem vertiginosamente a cada dia.

    No início da bandeira amarela, no dia 28 de setembro – um dia após o início da campanha eleitoral – Curitiba tinha cerca de 3.800 casos ativos, agora, ao fim das eleições, a cidade atingiu a marca de quase 13 mil. Hoje temos mais do que o triplo de pessoas com a doença ativa, podendo transmitir o vírus e que, em muitos casos, dependem do atendimento hospitalar e até de UTI. Sem abertura de leitos suficientes e sem medidas preventivas, como seria possível que o sistema de saúde não entrasse em colapso?

    E, para tentar continuar mascarando a péssima gestão durante a pandemia, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) anunciou que irá fechar mais uma UPA nesta sexta-feira (27), a unidade Boqueirão. De acordo com a administração, a medida se dá para que mais leitos do HIZA sejam liberados para o atendimento da Covid-19. O problema é que a tentativa falha da gestão Greca de evitar o colapso na saúde é meramente propaganda, afinal de contas, enquanto os leitos do HIZA são liberados, a vida da população com outras doenças estão sendo colocadas em risco.

    Além disso, assim como a UPA Fazendinha, a UPA Boqueirão também não tem estrutura e nem efetivo suficiente de trabalhadores para receber os pacientes do Hospital do Idoso. E quantas UPAs ainda serão fechadas antes que uma medida mais efetiva seja tomada?

    Está muito óbvio que só o remanejamento dos pacientes não resolve o problema! Antes mesmo da pandemia, a saúde de Curitiba já estava sobrecarregada, portanto, sem a contratação de mais trabalhadores via concurso público e investimento na estrutura das unidades de saúde pública, o colapso beira ao inevitável. E quanto mais o desprefeito Greca demorar a agir, mais caro será o preço para a saúde da população trabalhadora.

    A UPA Boqueirão realiza mais de 10 mil atendimentos por mês, a UPA Fazendinha, mais de 11 mil. Isso significa que os usuários dessas UPAs terão que procurar outras unidades, sobrecarregando ainda mais os profissionais e o sistema de saúde. Isso sem falar que muitos trabalhadores terão que procurar a UPA CIC, uma unidade terceirizada que não possui pediatria, Raio-X e que muitas vezes se nega a receber procedimentos de emergência, por falta de estrutura.

    O saldão de fim de ano é com a vida dos trabalhadores

    O aumento desenfreado no número de casos tem sido anunciado desde setembro, quando os números de infectados começaram a subir. Mas, as prioridades da gestão Greca são outras. Primeiro vieram as eleições e a necessidade de mostrar uma Curitiba de um mundo de faz de conta. Agora, a necessidade é manter o empresariado feliz, por isso, o Decreto nº 1600/2020 que instaura mais uma vez a bandeira laranja na cidade, entrará em vigor apenas após a Black Friday.

    E ainda, a mudança de bandeira parece ser mais uma fachada do desgoverno Greca, afinal de contas, os grandes empresários, donos de shoppings e grandes lojas, não são afetados – não podia ser diferente, já que um dos grandes doadores de campanha de Greca, é dono de um dos maiores shoppings da cidade.

    Chega de omissão por parte da gestão Greca, que nas redes sociais lamenta, chora e faz apelos à população sem considerar nenhuma medida de fato eficaz para que a saúde consiga se manter funcionando.

    Apelo emocional não é política pública! O que são necessárias são mais contratações de profissionais, o chamamento dos trabalhadores da enfermagem que passaram no último concurso público, a ampliação dos leitos para Covid-19 através de hospitais de campanha, a reabertura imediata das UPAs e, além disso, medidas eficazes para o controle da doença, como o lockdown.

    Por isso, o SISMUC convida os trabalhadores da saúde e demais categorias que queiram somar nessa luta, para participar do Coletivo da Saúde na próxima quarta-feira (2), às 18h30. Vamos discutir a saúde pública em Curitiba e avançar nas cobranças diante do descaso da gestão! Nossa luta é pela vida dos trabalhadores, se o governo não faz por nós, nós faremos. Em breve, mais informações.

    Imprensa SISMUC e SISMMAC
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