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  • 29/09/2020 Saúde

    Fala, servidor: atendimentos sem urgência na odonto coloca trabalhadores e usuários em risco

    Fala, servidor: atendimentos sem urgência na odonto coloca trabalhadores e usuários em risco
    Arte: CtrlS
    Prefeitura orienta o atendimento de procedimentos da odonto que não são urgência, mesmo para usuários do grupo de risco. Medida contraria OMS

    Mais uma vez, Curitiba está na bandeira amarela. Porém, qual tem sido a real diferença entre as bandeiras para a população? Seja com bandeira amarela ou laranja, Curitiba continua funcionando como se não houvesse quase 4 mil infectados com vírus ativo na cidade.

    Os servidores têm sentido na pele o descaso com as normas sanitárias do combate à Covid-19, embora o discurso seja um, a realidade em que vivem os trabalhadores que estão na linha de frente é bem diferente. É o caso dos profissionais da odontologia que tiveram os atendimentos reduzidos no início da pandemia para atender apenas URGÊNCIAS e agora, receberam ordens para retornarem os atendimentos normais de rotina. Em algumas unidades, os profissionais têm sido pressionados a ligar para a comunidade e retornar com os atendimentos, mesmo para quem está no grupo de risco.

    Os atendimentos haviam sido suspensos por um motivo claro: os procedimentos realizados na odontologia geram uma grande quantidade de aerossol e por isso são extremamente contagiosos. Mas, mesmo sabendo disso, a Prefeitura ignorou completamente a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que orienta que em caso de transmissão comunitária os casos odontológicos devem ser atendidos apenas para urgência e emergência, evitando ao máximo procedimentos geradores de aerossóis, além de adiar tratamentos de rotina.

    Odonto de lá, pra cá

    A irresponsabilidade da Prefeitura com a odontologia não vem de hoje. Em algumas unidades, os trabalhadores da odonto têm sido colocados para realizar o atendimento na recepção. O problema é que estes estão sem as máscaras N95 – consideradas ideias para esse tipo de trabalho – e muitas vezes nem faceshield possuem.

    Afinal de contas, o atendimento inicial é aquele em que você pode ter contato com diversos tipos de doença, neste momento, principalmente a Covid-19. E não são só os trabalhadores da odonto que não tem os EPIs, mesmo enfermeiros e enfermeiras que tem feito esse trabalho na recepção, não tem esses equipamentos.

    E, agora, trabalhadores da odontologia que estavam sendo expostos na recepção dos doentes, terão que atender a população de risco em consultas de rotina.

    Ou seja, de que adianta as trocas de bandeira em Curitiba, se na verdade, protocolos mínimos necessários para controlar o contágio não têm sido realizados? Curitiba continua com uma transmissão comunitária em que a cada 100 pessoas infectadas podem passar para outras 85 e mesmo assim, as medidas de proteção e combate ao novo coronavírus têm sido negligenciadas.

    A OMS e pesquisadores de todo o mundo têm estudado a possibilidade de contágio através de aerossol, por enquanto esse tipo de contágio tem sido visto, em sua grande maioria, em ambientes hospitalares - locais onde ocorrem procedimentos que liberam pequenas gotículas no ar, o chamado aerossol. A odontologia é uma das áreas que mais liberam essas gotículas durante os procedimentos. Por isso, a recomendação é simples, atendimento da odontologia deve ser apenas de urgência e emergência!

    Mas, as autoridades de saúde de Curitiba parecem ignorar essa informação, afinal de contas, 2020 é ano eleitoral, e para o desprefeito sua campanha é mais importante que a vida dos trabalhadores. Uma prova disso é que mesmo com todos os estudos indicando a importância da utilização de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) adequados, os trabalhadores da odontologia não possuem máscaras N95, por exemplo, em alguns locais os profissionais chegaram a comprar as suas próprias máscaras para se sentirem seguros.


    Se os  servidores não têm os equipamentos adequados e os procedimentos são normalizados – atendendo inclusive os grupos de risco – a conta é simples, o contágio nestes locais aumenta e a vida dos trabalhadores é colocada em risco. É isso que a Secretaria Municipal de Saúde quer? Parece que sim, já que tem obrigado os profissionais da odontologia a irem contra as normas da OMS ao mesmo tempo que realiza discursos de retorno das aulas presenciais – que aumenta a demanda nas Unidades de Saúde (US) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

    O SISMUC oficiou a Prefeitura e espera uma resposta satisfatória das autoridades de saúde que em meio a crise sanitária que vivemos precisam se responsabilizar pela saúde dos trabalhadores que atendem a população.

    Imprensa SISMUC
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