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  • 05/03/2020 Saúde

    Tragédia escancara a falta de investimento de Curitiba em saúde mental

    Tragédia escancara a falta de investimento de Curitiba em saúde mental
    Arte: Ctrl S
    Caso de fuga de paciente da UPA mostra a precarização da atenção à saúde mental

    Infelizmente, o atendimento à saúde mental em Curitiba está completamente precarizado – desde a atenção básica até a emergência. Com a falta de investimento, a rede de atenção à saúde mental não dá conta da demanda existente. No entanto, a Secretaria de Saúde não assume a responsabilidade pelo descaso com que vem tratando o tema e tenta esconder problemas graves como o fato de a rede de atenção psicossocial estar sobrecarregada, de as UPAs não contarem com a estrutura adequada para realizar atendimento de emergências na saúde mental e a falta de servidores na saúde.

    Essa série erros culminou em uma tragédia recentemente, com a fuga de um paciente de saúde mental que estava internado na UPA e que depois foi encontrado morto. Em entrevista sobre o caso ao programa Balanço Geral, da RIC TV, Pedro Henrique Almeida, Diretor do Departamento de Urgências e Emergências da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba,respondeu apenas que seria aberta uma sindicância para investigar o caso. A essa declaração, soma-se o comunicado da Secretaria de Saúde: “Os pacientes que ficam internados em Unidades de Pronto Atendimento são supervisionados por profissionais que atuam nessas unidades: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e guardas municipais”. Com isso, fica clara a tentativa de culpabilizar os trabalhadores por um problema criado pela própria gestão com sua política de desinvestimento – sem considerar que o número de servidores no atendimento emergencial é completamente insuficiente.

    O desmonte na saúde mental é generalizado e afeta todos os níveis de atendimento. Os Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) trabalham sobrecarregados - e não é de hoje.

    Mas, em vez de ampliar a estrutura, a gestão vai dando jeitinhos. Por isso, pacientes psiquiátricos em surto ou em casos mais graves, acabam sendo atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), já que mesmo os CAPs que funcionam 24 não tem estrutura nem profissionais necessários para contenção de crise.

    Sobrecarga, agressões e assédio aos servidores

    E a realidades das UPAs também é de sobrecarga, agressão e assédio. O sucateamento imposto pelo desgoverno Greca para tentar convencer a população de que é preciso terceirizar afeta todo o atendimento de emergência. Com servidores sobrecarregados, fica praticamente impossível dar a atenção que um paciente de saúde mental necessita em uma emergência.

    Para atender toda a UPA são apenas três enfermeiros em cada turno, sendo que é obrigatório que dois fiquem na classificação de risco de quem chega até a emergência. Ou seja, na prática um único enfermeiro tem que supervisionar todos os setores: sala de emergência, estabilização, internamento, sala de observação e pediatria. O número de técnicos de enfermagem e auxiliares por turno também é insuficiente.

    Sem contar que, embora as UPAs recebam um grande número de casos de emergência psiquiátrica, não contam com psicólogos, psiquiatras ou sequer profissionais de assistência social. Então, cabe à equipe de enfermagem fazer o manejo desses pacientes e até mesmo tratar da questão social deles.

    Com trabalhadores sobrecarregados, a Secretaria de Saúde ainda tem a covardia de tentar culpabilizar os servidores que lutam todos os dias para tentar fazer o melhor pelos pacientes.Hoje, a situação só não é mais caótica porque os profissionais de enfermagem se desdobram para fazer o manejo desses pacientes, mesmo sem estrutura, sem capacitação – já que a gestão não se preocupa em dar condições de formação e de preparo para os profissionais –e sem quantidade de trabalhadores adequada para a demanda.

    A equipe de atendimento a emergência é constantemente agredida, já que muitos pacientes chegam em estado agressivo. São muitos os relatos de servidores que sofrem agressões verbais diariamente e até mesmo física, com tapas, socos e empurrões.

    Essa situação vai totalmente contra o direito do profissional de enfermagem, que é o de “exercer atividades em locais de trabalho livre de riscos e danos e violência física e psicológica à saúde do trabalhador”, como previsto no Código de Ética de Enfermagem.

    Sem qualquer preocupação com a saúde do trabalhador ou da população, a gestão ainda assedia os servidores. O assédio moral por parte dos gestores acontece a toda hora, com a exigência de que os servidores atendam pacientes em situação delicada mas sem oferecer capacitação ou quantidade de profissionais.

    É preciso olhar com mais atenção para a situação da saúde mental. Em vez de perseguir de culpabilizar os servidores, a gestão precisa assumir sua responsabilidade e fazer os investimentos necessários à área.

    Imprensa SISMUC
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