Notícias

Imprimir
  • 02/07/2015 Geral

    Grupo que quer gerir lixo de Curitiba e Região é citado em depoimento da Lava-Jato

    Grupo que quer gerir lixo de Curitiba e Região é citado em depoimento da Lava-Jato
    Imagens aéreas do aterro da Essencis, anexas ao protocolo da CPI do Lixo. Foto: Manoel Ramires.
    Multinacional também já sofreu processos em outras cidades do Brasil e do Peru.

    Esta é a terceira reportagem da Série Negócio Sujo.

    Em 8 de outubro de 2014, a contadora Meire Poza declarou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lava Jato que emitiu R$ 600 mil em notas fiscais para a Revita Engenharia S/A. Ela trabalhava com o doleiro Alberto Youssef e ambos firmaram acordo de delação premiada, entregando empresas e políticos envolvidos em corrupção em troca da redução de suas próprias penas. A denúncia já havia sido apontada por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, em depoimento anterior.

    A Revita faz parte do grupo Solví Participações Em Projetos de Saneamento Ltda e atua nos segmentos de saneamento, energia, engenharia e lixo. Também pertence ao grupo Solví a empresa Essencis Soluções Ambientais S/A, que é dona do Aterro Sanitário Industrial de Resíduos Tóxicos Perigosos e Não Perigosos na Cidade Industrial de Curitiba.

    Em 2011, a Essencis sublocou o imóvel ao lado do aterro, que pertence à Massa Falida da Stirps Empreendimentos e Participações S/A. Só que o procedimento tem sido questionado, tanto porque o contrato de sublocação foi firmado após a falência da Stirps, quanto por se tratar da ampliação de um aterro sanitário em um imóvel alugado. Recentemente, em 8 agosto de 2014, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) emitiu liminar que paralisa todas as atividades no terreno que pertence à Massa Falida da Stirps. No entanto, a Essencis continua depositando resíduos em cima das 6 mil toneladas de lixo que a Justiça paranaense já mandou remover do local há um ano atrás.

    Corrompendo o Brasil e o Peru

    O grupo Solví, que busca entrar no mercado curitibano de resíduos, é alvo de investigações e processos brasil e América-Latina afora, conforme aponta Especial do Repórter Brasil.

    A Revita Engenharia também foi convidada pela Prefeitura de João Pessoa, sem licitação, para a gestão de resíduos. Mas em 29 de abril de 2013, 18 pessoas foram presas pela Polícia Federal na capital da Paraíba na Operação Hígia. A investigação levantou acusações por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crimes ambientais ligados à gestão do lixo. Mas não foi a primeira vez. O grupo Solví também protagonizou escândalo na capital do Peru, a cidade de Lima. Por lá, sob o nome Relima, o grupo teve esquema de corrupção desmontado quando a Polícia apreendeu 4 toneladas de drogas traficadas em latas de alcachofra. As autoridades peruanas já investigavam uma série de empresas de fachada que haviam sido criadas para lavar o dinheiro do narcotráfico. Quando a Relima, uma das principais empresas credoras do município de Lima, vendeu parte da dívida da Prefeitura para uma das empresas investigadas, a Polícia fez a conexão entre eleições municipais, corrupção, lavagem de dinheiro, narcotráfico e a dispensa de licitação para o grupo Solví.

    Já em Teresina, a gestão do lixo é feita por outra empresa do grupo Solví, a Vega Engenharia S/A. Segundo informações da mídia local, o valor do contrato com a Prefeitura corresponde a R$ 3.649.205,04 mensais. O montante já foi tema de questionamentos na Câmara de Vereadores da cidade. Mas, em 16 de dezembro de 2014, em decisão de segunda instância, o desembargador federal piauiense Kássio Nunes Marques determinou o fechamento imediato do lixão na capital. Na sentença, ele deu um prazo de cinco dias úteis para que a Prefeitura acatasse a determinação, que incluía a suspensão do contrato firmado sem concorrência.

    E, no Rio Grande do Sul, no segundo semestre de 2014, o Ministério Público denunciou a RS Grande Ambiental S/A e também a Vega Engenharia Ambiental S/A, ambas pertencentes ao Grupo Solví. Além disso, figuram nesta ação nomes importantes do comando administrativo da Vega e da Revita. A denúncia criminal investigou o pagamento de propina a agentes públicos. Em abril de 2013 a Operação Polus cumpriu mandados de busca e apreensão nos municípios gaúchos de Rio Grande e Novo Hamburgo, além da capital Porto Alegre, cidades em que as empresas do Grupo Solví são sediadas.

    Confira as outras reportagens da Série Negócio Sujo:


    Phil Batiuk
Voltar para o Índice

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba
Rua Nunes Machado, 1577 - Rebouças, Curitiba - PR. CEP: 80220-070     Fone/Fax: (41) 3322-2475 | (41) 98407-4932     E-mail: sismuc@sismuc.org.br
Atendimento de segunda a sexta-feira das 8h às 18h.

DOHMS