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  • 04/09/2020 Saúde

    Fala, servidor: em meio a surto de casos, trabalhadores da UMS Tingui sofrem com assédio

    Fala, servidor: em meio a surto de casos, trabalhadores da UMS Tingui sofrem com assédio
    Arte: Ctrl S
    Falta também transparência da gestão, que tenta maquiar os números reais de infectados na unidade

    As denúncias recebidas pelo SISMUC por meio do canal Fala, Servidor da Unidade Municipal de Saúde (UMS) Tingui demonstram mais um equipamento de saúde municipal numa situação absurda de desrespeito com a vida dos trabalhadores.

    Depois de relatos de um surto de contaminação pelo coronavírus no local de trabalho, o SISMUC foi em busca de informações junto à gestão municipal. A resposta da gestão, por meio de ofício (confira aqui), é que teriam dois servidores infectadas na unidade, ambas confirmadas em meados de agosto.

    Mas, a situação é muito pior do que a Prefeitura quer deixar transparecer. De acordo com denúncia recebida pelo SISMUC, são muitos mais casos na unidade, isso porque no ofício a gestão não informa o número de trabalhadores adoecidos que atuam no local por meio de outros vínculos e que não são servidores públicos.

    Essa situação ocorre devido à falta de servidores para manter a unidade aberta durante a pandemia. A gestão apelou para ajuda de voluntários, estudantes de cursos da saúde como Medicina e Enfermagem, além de outras formas de contratação emergencial com vínculos totalmente precarizados.

    E foi justamente uma trabalhadora que não tem lotação formal como servidor público na UMS Tingui o primeiro caso confirmado, há mais de um mês. A trabalhadora se sentiu mal, fez o teste e confirmou a infecção por coronavírus. Na sequência, outros trabalhadores começaram a adoecer e hoje já são seis trabalhadores adoecidos: além dos dois casos de servidores informados pela Prefeitura, há ainda dois casos entre trabalhadores dos contratos emergenciais, um trabalhador da US Bacacheri que está cedida à UMS Tingui durante a pandemia e um trabalhador da limpeza, que é terceirizado.

    Fica claro que o atendimento dispensado durante a pandemia aos servidores da saúde é pior do que o atendimento à população. Os servidores da unidade só estão sendo testados quando estão com sintomas.

    Falta de servidores

    Um dos problemas enfrentados na unidade é a falta de equipe. Com telefones chamando o tempo todo, filas de atendimento quilométricas, os trabalhadores precisam dar conta do atendimento com equipe reduzida. E se a equipe teve redução, o trabalho pelo contrário, só aumentou. A UMS Tingui atende consultas de urgência e emergência, incluindo casos suspeitos de Covid-19, além dos serviços rotineiros que aumentaram com a mudança da Unidade de Saúde Bacacheri para atendimento só de vacinas. Então, todos os serviços como troca de receitas e entrega de medicações, emissão de cadastros e cartões SUS, curativos diários e rotineiros, entre outros, que aconteciam nas duas unidades, agora estão sendo absorvidos apenas na unidade Tingui.

    Como, durante todo o seu mandato, Greca não fez concursos para reposição de equipe e trabalhou incansavelmente para destruir e terceirizar a saúde pública de Curitiba, os quadros de equipe da saúde já estavam defasados há bastante tempo.

    É claro que a situação se agravou durante a pandemia, primeiro porque muitos servidores tiveram que ser afastados por estarem no grupo de risco e também porque a demanda aumentou. Mas, em vez de garantir a ampliação do atendimento à população, Greca fechou várias unidades de saúde num processo que ele chamou de “reordenamento”, mas que na verdade só foi uma tentativa de mascarar a falta de servidores. Das 20 unidades básicas de saúde do distrito Boa Vista, onde se encontra a unidade, ao menos cinco estão fechadas.

    E na UMS Tingui, dos 30 servidores, 11 estão afastados por serem do grupo de risco seja pela idade, seja por comorbidades. Mesmo com as contratações emergenciais, o número de trabalhadores não é suficiente para dar conta da demanda.

    Além das contratações emergenciais, há ainda servidores de outras unidades que são cedidas para UMS Tingui. Com servidores trabalhando em mais de uma unidade, aumentam – e muito – os riscos de contaminação cruzada entre os locais de trabalho.

    Assédio moral

    E qual tem sido a postura da chefia da unidade diante do grave cenário de adoecimento da equipe? Negligência e assédio moral. Em vez de se preocupar em proteger os trabalhadores, preservar suas vidas e evitar que o vírus continue circulando, as chefias só se preocupam em praticar assédio e esconder a realidade da população – afinal, a visibilidade de todos esses problemas poderia ser um calo no sapato da tentativa de reeleição de Greca.

    De acordo com os trabalhadores do local, a chefia se esquiva da sua responsabilidade e não permanece na unidade para auxiliar na solução dos problemas. Mas, em vez disso, ameaça e persegue os trabalhadores, dizendo que está monitorando seus passos nas redes sociais.

    E o pior: tanto a chefia local, assim como a própria gestão, tentam se esquivar da sua responsabilidade pela contaminação dos trabalhadores, insinuando que todos se contaminam fora do local de trabalho. Só que eles parecem esquecer que na unidade de saúde, diariamente, os trabalhadores estão expostos a uma grande carga viral com atendimento aos pacientes do coronavírus e mesmo que sejam utilizados os EPIs, o risco de contaminação é alto.

    O que se vê, é uma inversão total de valores: em vez de reconhecer e valorizar os trabalhadores da linha de frente, o que o desgoverno Greca e seus aliados praticam é humilhação e desvalorização desses trabalhadores. É direito dos trabalhadores ter informação sobre colegas de trabalho contaminados, além de acesso a testes para que possam se prevenir de levar a contaminação do ambiente de trabalho para seus familiares.

    Em ano eleitoral, Greca e seus comparsas estão fazendo de tudo para esconder a realidade. Mas, quem está na ponta, quem combate o vírus na linha de frente conhece a realidade e não vamos nos calar! Faça a sua denúncia dos problemas no seu local de trabalho, com garantia de anonimato pelo número (41) 99661-9335.

    E para barrar a destruição dos serviços público, é hora de fortalecer o grito: Vaza, Greca!

    Imprensa SISMUC
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