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  • 23/07/2020 Fundações

    Fala, servidor: sem rodízio, sem EPIs e amontoados em kombis, servidores da FAS são deixados de lado

    Fala, servidor: sem rodízio, sem EPIs e amontoados em kombis, servidores da FAS são deixados de lado
    Arte: Ctrl S
    Já se passaram quatro meses desde o começo da pandemia, mas as denúncias que chegam da FAS mostram que quase nada foi feito pela segurança dos servidores

    Enquanto o desprefeito Greca usa as redes sociais para transformar Curitiba na lenda da cidade modelo, na vida real a verdade é bem outra. Sob o seu desgoverno, as políticas públicas foram praticamente abandonadas, e para a parte da população que mais precisa delas só restam as consequências do retrocesso e do descaso.

    O enfraquecimento da Fundação de Ação Social (FAS) é um dos principais símbolos desse desmonte. Se em tempos normais a rotina das equipes que trabalham com pessoas em situação de vulnerabilidade social já é difícil, limitada principalmente pela falta de recursos e de profissionais, com a pandemia do novo coronavírus os desafios ficaram ainda maiores. Há quem tenha que trabalhar amontoado com outros colegas em uma kombi.

    Denúncias quase que diárias revelam um total desprezo com trabalhadores, que precisam se expor ao perigo constante, já que os usuários dos serviços da FAS estão à margem das políticas de prevenção. Basta lembrar que o próprio Greca já disse ter nojo de pobre!

    A falta de EPIs e de medidas seguras de prevenção, quatro meses após o início da pandemia na capital, ainda faz parte dos problemas com os quais os servidores da FAS têm que lidar. O descaso já denunciado pelo SISMUC até mesmo em audiência com o Ministério Público do Trabalho! Mas, ainda assim, a pergunta que fica é: até quando teremos que cobrar por direitos básicos e por respeito nessa realidade que Greca divulga como perfeita?

    Sem rodízio, sem segurança, sem nada

    É fato que um conjunto de medidas bem pensadas executadas pode frear a disseminação do novo coronavírus. Replanejar ambientes, eliminar aglomerações e evitar ao máximo o contato entre pessoas nos locais de trabalho – quando a atividade presencial é essencial – são práticas defendidas por todos os especialistas de bom senso.

    No entanto, tudo isso está distante para muitos dos servidores da FAS. Ao contrário do que já ocorre em outros setores, a Unidade de Acolhimento Institucional (UAI) Boqueirão continua funcionando em escala normal. Com isso, os trabalhadores permanecem em contato o tempo todo, até mesmo com colegas que já testaram positivo para a Covid-19.

    O rodízio de trabalhadores deveria ter sido pensado para ontem, pois é uma forma de evitar a disseminação do vírus. Inclusive porque testes entre funcionários da FAS são raridade! Segundo denúncias, muitos servidores ainda nem foram testados, o que aumenta a chance de que pessoas contaminadas e assintomáticas sigam trabalhando normalmente – contagiando outros colegas e os próprios usuários que, não podemos esquecer, passam a maior parte do tempo nas ruas.

    No setor de manutenção dos abrigos e instalações da Fundação, as reclamações também mostram a realidade distorcida. De acordo com Igor (nome fictício usado para preservar o anonimato da denúncia), servidores da área continuam a trabalhar amontoados dentro das kombis e não foram poucas as vezes em que foi dividir o espaço pequeno do veículo com colegas que, depois, acabaram confirmando a contaminação.

    Mas colocar isso na cabeça de um desgoverno que não distribui nem os EPIs adequados é difícil. Ainda de acordo com o servidor Igor, há equipes dentro da FAS que até hoje trabalham sem os acessórios mínimos de segurança! Isso em meio a uma explosão de caso nas unidades da FAS. Há duas semanas, o Centro POP Plínio Tourinho ficou quase uma semana fechado porque três usuários tiveram o novo coronavírus.

    Essa é a verdade que a gestão Greca esconde para dizer que está tudo bem e ampliar o horário de atendimento do comércio de rua, bares, restaurantes e liberar o funcionamento de academias – quando, na verdade, o que a saúde da cidade precisa é de um lockdown.

    O descaso é tanto que nossa luta não pode dar trégua! É preciso fazer com que todos enxerguem o que realmente acontece por dentro dos muros da cidade desencantada. E se a gestão de Curitiba for servir de algum modelo, que seja o do que não se deve fazer!




    Imprensa SISMUC
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