Na Pauta

  • 30/04/2022 Na Pauta

    Ô abre alas, que as prof’s vão passar: educação infantil ocupa o Centro de Curitiba em protesto

    Ô abre alas, que as prof’s vão passar: educação infantil ocupa o Centro de Curitiba em protesto
    QuemTV
    As professoras e os professores de educação infantil não têm medo do lobo mau que veste paletó, gravata e passeia pela Prefeitura de Curitiba, sucateando os CMEIs.

    Sorrateiramente, assim como faz o lobo mau na história dos Três Porquinhos, o prefeito Rafael Greca instaura o colapso na educação infantil. Para a mídia, é transmitida a imagem de que tudo corre às mil maravilhas. Mas, tudo não passa de faz de contas. Na vida real, faltam professores nos CMEIs, as crianças não recebem o atendimento adequado e quem perde é toda a cidade.

    Para chamar a atenção de toda a população, nós organizamos uma mobilização que aconteceu hoje (30) pela manhã, no Centro de Curitiba. Professoras e professores da educação infantil realizaram uma caminhada que partiu da praça Santos Andrade, passou pela Rua XV de Novembro — com parada para contação de histórias em frente ao Bondinho da Leitura.

    “Com a pandemia houve muita defasagem. As crianças estão apresentando muitos problemas emocionais e motores. Só que a volta ao presencial veio toda desorganizada. Nós não temos hora-atividade para nos prepararmos neste novo contexto. Cada dia mais ficamos apavorados pensando em como vai ser o futuro dessas crianças”, expõe Marilene, professora presente na mobilização.

    Durante o ato, conversamos também com o professor Nilton, que reforça que as crianças já percebem a falta dos professores: “A criança chega no CMEI e quer acolhimento. A partir do momento que ela chega e não vê alguém que já possui confiança, ela se retrai e se sente insegura. A consequência disso é que ela chora e leva outras crianças a chorarem, se tornando um efeito cadeia”.

    Veja as reivindicações da categoria:

    - Cumprimento da Lei 14.681/2015

    A Prefeitura não cumpre a Lei 14.681/2015, que trata das estratégias relacionadas à inclusão, destacando-se a necessidade desuporte às unidades educacionais para a alfabetização das pessoas com deficiência e de inclusão escolar, considerando as suas especificidades.

    Para as mais de 1,2 mil crianças PcDs que frequentam os CMEIs, o Departamento de Inclusão e Atendimento Educacional Especializado (DIAEE), da Prefeitura, divulgou recentemente a contratação de apenas 880 tutores, número insuficiente para garantir o atendimento de qualidade a estas crianças. “E como fica essa criança que precisa da inclusão? Na verdade, a inclusão não acontece da forma como deveria acontecer. A propaganda é muito bonita, mas a gente precisa que os órgãos competentes tomem uma atitude”, expõe Edicleia Aparecida Farias, dirigente do SISMUC, em nosso 2º episódio do podcast Linha Segura.

    Ouça o episódio completo no Spotify.

    -Contratação de professores(as) por concurso público

    O número de professores em sala é insuficiente para o atendimento adequado das crianças.Para tentar remediar esta situação, a Prefeitura está retirando os professores de educação infantil — com carga horária de 8 horas diárias de trabalho, e transferindo para outros Centros de Educação. Por conta disso, a PMC abriu um novo edital de PSS e está fazendo a contratação de Professores Docência I, que ficam apenas 4 horas para atender as salas de atividades do Pré I e II.

    Porém, sabemos que PSS não é a solução para a falta de profissionais nos CMEIs, pois estes profissionais possuem contrato temporário, impedindo a criação do vínculo afetivo com as crianças.

    “Às vezes a gente precisa sair para uma consulta ou exame médico e a consciência pesa, pensando que nossas colegas ficarão sozinhas [em sala]. Essa falta de profissional acaba com a gente e com qualidade da educação. Estamos em uma situação que precisamos escolher entre cuidar da criança com necessidades especiais ou dos outros 30 alunos que estão em sala”, desabafa Kátia, professora de CMEI.

    -Pagamento do piso salarial com reajuste de 37,73%

    A Prefeitura de Curitiba deve aos profissionais de educação infantil um reajuste de salário ainda maior que o piso nacional. Visto que em Curitiba estes profissionais recebem historicamente um piso salarial defasado.

    -Descongelamento do plano de cargos e carreiras.

    O congelamento dos planos de carreira foi aplicado em 2017, pela lei 15.043. Em dezembro do ano passado, a Câmara Municipal votou a favor da antecipação do descongelamento, com o fim da medida marcada para 31 de dezembro de 2022. Na data, o líder do governo, o vereador Pier Petruzziello, se comprometeu em apresentar uma proposta de carreira aos servidores ainda este ano.

    Durante a maior parte da sua infância, é com os professores que as crianças convivem dentro dos CMEIs. As professoras e os professores precisam da valorização que eles merecem, a Prefeitura de Curitiba deve pagar o piso salarial, contratar professores via concurso público para que o trabalho na educação infantil seja exercido da forma adequada.

    No começo do próximo mês de maio, nós do SISMUC realizaremos uma assembleia com os professores de CMEIs para discutirmos e planejarmos as próximas ações. Divulgaremos em breve a data e horário, acompanhe em nossas redes sociais.


    Imprensa SISMUC - Ana Carolina Pacífico
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