Na Pauta

  • 29/07/2020 Saúde

    Fala, Sevidor! Da sobrecarga ao assédio moral: a realidade absurda das Unidades de Saúde em tempos d

    Fala, Sevidor! Da sobrecarga ao assédio moral: a realidade absurda das Unidades de Saúde em tempos d
    Arte: Ctrl S
    Servidores sem treinamento deslocados para áreas que exigem habilidade e descaso com funcionários doentes são algumas das complicações nas USs de Curitiba

    Transformadas num braço da rede hospitalar, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba vivem momentos de calamidade. Mas a realidade não é muito diferente nas Unidades de Saúde (US) da capital, onde, já pressionados pela crise do coronavírus, servidores passaram a denunciar com mais frequência casos de assédio moral.

    Além disso, a sobrecarga de trabalho provocada pelo fechamento de USs durante a pandemia – alerta do SISMUC ignorado pelo desgoverno Greca – e o desmonte na saúde pública municipal também têm afetado a rotina das unidades e da própria comunidade. Refém da política de descaso da gestão, a população se torna ainda mais vulnerável neste momento de perigo generalizado!

    Retrato do desgoverno

    A incompetência do desgoverno Greca está custando a saúde dos curitibanos, inclusive a dos trabalhadores que enfrentam o novo coronavírus em suas rotinas diárias. Acúmulo de trabalho, esgotamento físico e psicológico e o risco de contaminação por causa da falta de estrutura nos ambientes e da distribuição de EPIs mais seguros são alguns dos problemas relatados pelos servidores.

    Mas não só. Não bastasse tudo, muitos ainda têm que trabalhar sendo vítimas de assédio moral por parte das chefias. Em várias USs, funcionários denunciam gritos e atitudes de desrespeito publicamente, em frente a pacientes e a outros funcionários. Em alguns casos, a repressão acontece até mesmo pelo whatsapp, por onde muitos também são obrigados a discutir questões de trabalho em seus horários de folga.

    O desprezo ocorre também com os que se queixam de sintomas da Covid-19. Segundo denúncias, funcionários que alertam estar com sintomas são ignorados e tachados de fingidos, mesmo com a explosão de casos sendo um fato entre os servidores da saúde – tema constante de queixas do SISMUC diante do Ministério Público do Trabalho (MPT).

    O risco de contaminação cresce à medida em que aumenta o desprezo da gestão pela segurança mínima que os trabalhadores deveriam receber. Há casos em que os servidores precisam trabalhar com máscaras coladas com micropore, como o SIMUC já revelou. Outras denúncias agora acrescentam que servidores do setor de odontologia de algumas unidades são obrigados a usar a mesma máscara N95 – modelo considerado mais seguro – por 30 dias direto. Para outros funcionários, o uso da máscara cirúrgica, que protege menos, também é controlado: em alguns casos uma por turno, com orientação de remendar, caso estrague.

    Os absurdos quanto aos EPIs vão totalmente na contramão das normas da Anvisa e do Ministério da Saúde, que estabelecem o descarte imediato de máscaras úmidas, sujas, rasgadas ou amassadas.

    População que sofre

    O perigo é grande para o servidor, mas também para a população. Uma vez que os servidores não estão devidamente protegidos e isso facilita o contágio, o risco de infecção para pacientes que buscam atendimento é alto. E como nem testados os funcionários são, o drama só cresce!

    Outra ameaça ao atendimento que vem sendo denunciada tem a ver diretamente com o ataque ao quadro no funcionalismo público feito pelo desgoverno Greca. Com a falta de trabalhadores na saúde, servidores sem treinamento algum estão sendo lotados nos setores defasados, mas que exigem habilidade. Assim, são obrigados a exercer funções mesmo não tendo conhecimento nenhum. Há até mesmo relatos de voluntários realizando procedimentos invasivos, colocando seu trabalho e a saúde dos pacientes em risco!

    Outra questão mostra que servidores da odontologia estão sendo deslocados para atividades que não têm a ver com suas funções, e pacientes que precisam de cuidado odontológicos estão desassistidos.

    O impacto também é grande para as comunidades que tiveram suas Unidades de Saúde fechadas por causa da pandemia. Sem explicar o motivo, o desgoverno Greca fechou, em março, 35 unidades e remanejou 850 servidores para outros lugares. Sobrou para os pacientes, que precisam se deslocar mais em busca de atendimento, mas também para os trabalhadores, que enfrentam sobrecarga de trabalho com menos USs funcionando.

    Até quando a segurança mínima e o direito básico vão ter que continuar a ser exigidos? Até quando os trabalhadores continuarão se expondo ao risco e a população tendo que pagar por tamanho descaso?

    A crise não pode servir de desculpas para reprimir servidores e encolher seus direitos. E os absurdos de um prefeito descomprometido com a vida não podem ser pagos com o sofrimento!

    Não é de agora que o SISMUC vem denunciando o impacto das medidas de precarização adotadas por Greca na saúde pública. E não é com assédio que os servidores vão se calar!

    Imprensa SISMUC
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