Na Pauta

  • 21/07/2020 Saúde

    Fala, servidor: caos transforma banheiro em sala de injeção na UPA Sítio Cercado

    Fala, servidor: caos transforma banheiro em sala de injeção na UPA Sítio Cercado
    Arte: Ctrl S
    Improvisação para atender casos de Covid-19 na unidade foi tanta, que só sobrou o banheiro para aplicar as injeções prescritas a pacientes

    A pandemia do novo coronavírus escancarou ainda mais o desmonte na saúde pública arquitetado pelo desgoverno Greca. De tão precarizados, ambientes que deveriam ajudar a controlar a disseminação da Covid-19 acabaram se tornando um risco para os servidores e para a própria população, como é o caso das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

    Na UPA Sítio Cercado – que está dentro do projeto de terceirização pra lá de duvidoso da gestão Greca –, o descaso chegou a tal ponto que as injeções estão sendo aplicadas dentro do banheiro! Por causa da explosão de casos entre os trabalhadores, faltam profissionais e a unidade não está mais dando conta de atender a demanda da população.

    Assim, como em outras UPAs de Curitiba, a estrutura precária faz com que servidores trabalhem esgotados, sem segurança e com medo. Enquanto isso, pacientes que precisam de atendimento ficam sem a assistência que deveriam receber.

    Retrato do desprezo

    Os últimos dias têm sido de caos na UPA Sítio Cercado. Por causa do descontrole de casos de Covid-19 na cidade, a demanda aumentou, mas o número de servidores para atender diminuiu. É que, sem a estrutura de segurança mínima necessária na unidade, o contágio entre os trabalhadores explodiu. Até agora, pelo menos dez já foram afastados e não há como fazer reposição, já que o quadro do funcionalismo público está totalmente defasado.

    Segundo a servidora Clara (nome fictício usado para preservar o anonimato da denúncia), não há mais condições para trabalho normal diante de tanta desatenção! A improvisação foi tanta que agora a UPA não há mais um ambiente próprio para injeções – que agora são aplicadas dentro do banheiro, espaço sem ventilação e totalmente inadequado.

    A triagem para atendimento geral também foi afetada de tal maneira que não tem mais enfermeiros para verificar os sinais vitais de quem chega. No setor Covid, a triagem é feita por um técnico de enfermagem e em pé, porque não tem espaço para cadeiras.

    Na área de emergência clínica, onde antes ficavam no máximo três macas, agora foram colocadas sete. Perigosa também está a sala de observação, em que chegam a ser mantidas até dez pessoas de uma vez só, sem o distanciamento mínimo necessário. Para lá, são encaminhados pacientes que não apresentam sintomas do novo coronavírus e que buscam a UPA por outros problemas, o que não significa que não possam estar contaminados. Para o setor Covid, a determinação é que só sejam levadas pessoas com queixas respiratórias.

    Além de tudo isso, a falta de EPIs é outra triste realidade da unidade. Conforme Clara, o que chega de equipamento é mandado para os que trabalham diretamente com casos e suspeitas de coronavírus. Nas demais áreas, não há proteção suficiente, mas é justamente nesses locais em que a contaminação entre servidores mais cresce!

    Sem compromisso

    Obstáculos assim não são isolados e se repetem em vários equipamentos de saúde de Curitiba. Na UPA Boa Vista, o que deveria ser o isolamento do setor Covid-19, está sendo feito de forma precária, com lonas. A situação é muito semelhante ao que já foi denunciado com relação à UPA Cajuru. Na UPA Fazendinha o descaso é tão grande que não há triagem específica para casos suspeitos do novo coronavírus, ou seja, eles são atendidos junto com os demais pacientes.

    As denúncias chegam justamente no momento em que o desgoverno Greca deu um passo atrás no enfrentamento da pandemia e resolveu dar carta branca para reaberturas na cidade. Novo decreto assinado nesta terça-feira (21) permite a volta das academias, dos bares e dos restaurantes, mesmo que nas últimas semana a taxa de ocupação dos leitos em Curitiba não tenha baixado dos 90%.

    Mais do que irresponsabilidade, a medida é uma afronta aos servidores que já trabalham esgotados para evitar ainda mais mortes na cidade. Em um momento em que a vida dos trabalhadores da linha de frente e da população deveriam ser preservadas, fica mais do que claro que a falta de competência agrava ainda mais a crise!

    Tanta negligência só faz com que a nossa luta seja maior! Não podemos permitir que o desprefeito siga tratando vidas como mercadorias e que servidores continuem sendo peças descartáveis neste jogo em que só a população é que sai perdendo!


    Imprensa SISMUC
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