Na Pauta

  • 14/07/2020 Fundações

    Centro POP suspende atendimento após confirmação de Covid-19 no local

    Centro POP suspende atendimento após confirmação de Covid-19 no local
    Arte: Ctrl S
    Três acolhidos em situação de vulnerabilidade social e uma servidora testaram positivo; unidade só foi reaberta após transferência

    Apesar da maquiagem que o desgoverno Greca tenta fazer para esconder a calamidade provocada por sua gestão nas unidades de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade social, as feridas seguem gritantes. A mazela mais recente vem da Casa de Passagem Jardim Botânico e Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) Plínio Tourinho, que foi fechado e isolado depois que usuários e uma servidora testaram positivo para Covid-19.

    A erupção dos casos chegou a limitar o trabalho feito pelas equipes da FAS na semana passada, uma das mais frias do ano até agora, já que a suspensão do Centro enxugou o número de vagas de acolhimento disponíveis.

    O Centro POP Plínio Tourinho ficou quase uma semana fechado e foi reaberto no último sábado (11), depois de um pente fino. Três usuários que tiveram a contaminação confirmada foram transferidos para a unidade de acolhimento institucional Santo Expedito, que funciona no mesmo prédio e que foi transformada em local de isolamento dos doentes. Já os que testaram negativo para o novo coronavírus foram mantidos sem sair da casa durante praticamente uma semana, como precaução. A casa tem funcionamento 24 horas, mas, via de regras, os acolhidos não passam o dia todo na unidade.

    Precarização

    Em meio ao caos, outros relatos sobre o descaso dão conta do afastamento de pelo menos dois funcionários por causa do estresse provocado pelos trabalhos intensos. A FAS, essencial no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social, vem enfrentando um período de desmonte e, com o quadro de servidores reduzido, se move com a ajuda de cuidadores e educadores sociais contratados via Processo Seletivo Simplificado (PSS).

    A manobra é adotada com fôlego pela gestão para tentar evitar o esgarçamento total do serviço público sem ter que se comprometer com direitos trabalhistas. A prática promove alta rotatividades dos trabalhadores, que acabam não gerando vínculo duradouro com os usuários. Assim, a qualidade do atendimento deixar de ser prioridade, já que o foco é a “economia”. Contratados em regime PSSs prestam serviço temporário e, depois do fim do contrato, não têm direito a seguro-desemprego, por exemplo.

    Outras denúncias ainda alertam para o fato de que, nessa situação de pandemia, os servidores temporários não são suficientemente treinados para o uso dos EPIs, o que aumenta a chance de contaminação. Do setor de manutenção dos abrigos da FAS, chegam relatos que afirmam que as equipes vêm trabalhando amontoados dentro das kombis, e, com isso, o medo de contaminação se generalizou.

    O pedido de testagem de todos os servidores foi ignorado por quem deveria zelar pela saúde dos trabalhadores e entrou na pauta das audiências do SISMUC e SISMMAC com o Ministério Público do Trabalho (MPT).

    No mesmo cenário de descaso, cuidadores e educadores sociais – alguns contratados via Processo Seletivo Simplificado (PSS), regime que tolhe direitos trabalhistas – se revezam para cuidar de quem precisa. Mas se nenhum trabalho tem sido fácil nessa pandemia, para as equipes da FAS, assim como muitos servidores da Saúde, os impasses são ainda maiores, já que é preciso batalhar contra a omissão de quem deveria valorizá-los.

    No Centro POP da Plínio Tourinho, como em vários outros equipamentos do município, não está sendo possível cumprir as normativas para combate e enfrentamento à Covid-19, como o distanciamento social de 1,5m, por exemplo. A constante falta de água, noticiada várias vezes, também não permite a limpeza necessária no ambiente – o mínimo do mínimo que se espera no enfrentamento de uma crise epidemiológica.  

    Não bastassem todos esses problemas, em dias de chuva, servidores e usuários sofrem com as goteiras, e a falta de mão de obra suficiente para dar conta de tanto trabalho gera baixas no quadro de funcionários por causa do estresse acumulado.

    Tudo lindo...por fora

    Enquanto a bagunça na sala de casa é geral, o prefeito pinta a fachada para dizer que está tudo em ordem! Em publicação recente, a gestão do desgoverno Greca – o mesmo que, ainda durante a campanha eleitoral disse que “vomitou com cheiro de pobre” – desvia o foco ao dizer que está cumprindo com as normas básicas de prevenção, como uso de álcool em gel, máscara e a prática do distanciamento.

    Além disso, a Prefeitura também se vangloria de ter aberto um abrigo exclusivo para atender pessoas em situação de rua confirmados para Covid-19, para onde foram transferidos o que testaram positivo no Centro POP da Plínio Tourinho. A unidade de acolhimento institucional Santo Expedito, como foi nomeada, tem hoje 21 acolhidos, todos sintomáticos, e a pergunta que não quer calar é: estavam esses doentes em outros centros de abrigo antes e tiveram contato com outros usuários e servidores?

    A Prefeitura promete ainda inaugurar no espaço, entre o Centro POP da Plínio Tourinho e a Santo Expedito, hortas e um centro educativo. Mas, antes disso, deveria trabalhar para dar o que essas pessoas realmente precisam: atenção e cuidados dignos.

    Imprensa SISMUC
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