Na Pauta

  • 13/07/2020 Saúde

    Fala, servidor: contaminação interna por coronavírus deixa US no Tatuquara só com metade da equipe

    Fala, servidor: contaminação interna por coronavírus deixa US no Tatuquara só com metade da equipe
    Arte: Ctrl S
    Servidores se contaminaram depois que enfermeira com suspeita foi mantida nos plantões até que tivesse exame confirmado

    As denúncias de total negligência do desgoverno Greca com a saúde dos servidores e, consequentemente, com a saúde pública em geral não param de crescer – assim como os números da pandemia do novo coronavírus em Curitiba. Na Unidade de Saúde (US) Moradias da Ordem, no bairro Tatuquara, a contaminação por Covid-19 já afastou metade dos funcionários, todos testados positivos para a doença. Ainda assim, em mais uma amostra de desdém da gestão, trabalhadores com suspeita seguem na linha de frente, contrariando protocolos e expondo mais colegas e a própria comunidade ao perigo.


    A servidora Verônica (nome fictício usado para preservar o anonimato da denúncia) já considera a situação na unidade como descontrolada. E embora a expectativa fosse que a prefeitura tomasse medidas eficientes e até mesmo mais drásticas para frear a cadeia de contaminação, inclusive com a suspensão temporária dos atendimentos na unidade, nada foi feito até agora!


    Sem surpresas, a postura apenas reforça a irresponsabilidade da Prefeitura diante da grave situação, que condena a saúde dos trabalhadores e de quem precisa dos serviços da unidade.

    Efeito dominó

    As denúncias que chegaram ao SISMUC relatam que os casos na US Moradias da Ordem começaram a se avolumar depois que uma enfermeira com sintomas do Covid-19 continuou trabalhando até ter em mãos o resultado do exame, que deu positivo. Com não poderia ser diferente, a manutenção da servidora no quadro de plantão, que contraria totalmente o protocolo de manejo clínico do coronavírus, o qual estabelece o afastamento imediato dos funcionários suspeitos, provocou um efeito dominó.

    Sem o isolamento necessário, outros profissionais foram contaminados. Agora são 9 profissionais afastados - praticamente metade do total de servidores do local. Além disso, a unidade ficou sem enfermeiras porque todas foram infectadas.

    Mesmo tendo virado um foco de contaminação e diante da indagação dos servidores, a Prefeitura manteve a unidade aberta para atender casos suspeitos da doença na comunidade. Mais do que negligência, a apatia diante da denúncia é um desrespeito com a própria população e com os trabalhadores, já esgotados e com medo de levar a doença para dentro de suas casas.

    Acúmulo

    O menosprezo do desgoverno Greca na US Moradias da Ordem não é isolado. Diariamente chegam ao SISMUC diferentes denúncias de servidores que tiveram colegas de ambiente de trabalho com casos confirmados de Covid-19 e que sequer foram testados pela gestão.

    Ainda na semana passada, os altos índices de contágio deixaram vários trabalhadores da UPA Fazendinha em isolamento domiciliar após testarem positivo para o coronavírus. Inclusive, dois servidores tiveram de ser internados. Conforme denúncia, a UPA não estava cumprindo uma série de requisitos básicos de segurança para enfrentar a pandemia: a triagem dos pacientes com sintomas continuava sendo feita dentro da unidade; funcionários da recepção usavam apenas a máscara cirúrgica e não a N95 ou PFF2, que teria proteção mais efetiva; e, como não bastasse, o eletro do setor Covid deixou de funcionar, fazendo com que os pacientes com Covid-19 precisassem fazer eletro na área geral.

    Essas e outras queixas, que se somam a uma série de condutas inconsequentes de um desgoverno que só age para retirar direito dos servidores, foram tema de uma audiência do SISMUC e SISMMAC com o Ministério Público do Trabalho (MPT) na última quinta-feira (9).

    Além da testagem insuficiente, o SISMUC também voltou a denunciar a falta e a baixa qualidade dos equipamentos de proteção individual (EPIs) para os servidores da saúde e dos equipamentos da Fundação de Assistência Social (FAS) bem como o desleixo com os serviços de desinfecção.

    Logo após a audiência no MPT, a secretária de Saúde Márcia Huçulak enviou uma carta aos servidores falando sobre as medidas de proteção adotadas pela Prefeitura e negando os problemas denunciados até agora pela categoria – que de tão evidentes têm afetado os atendimentos prestados nos equipamentos de saúde. No documento, a gestão alega ter elaborado protocolos, disponibilizado EPIs necessários e contratado vagas em hotéis para os profissionais que estão na linha de frente do combate ao Covid-19.

    Mas de adiantam palavras bonitas quando não combinam com a prática? Afinal, vidas não são salvas por cartas, mas por comprometimento, transparência e respeito ao trabalho de quem está na luta!


    Imprensa SISMUC
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