Na Pauta

  • 10/06/2020 Na Pauta

    Fique de olho, máscaras de pano não substituem EPIs respiratórios!

    Fique de olho, máscaras de pano não substituem EPIs respiratórios!
    Arte: Ctrl S
    Demais cuidados são essenciais para evitar contágio. Os trabalhadores da linha de frente devem denunciar para responsabilizar a administração

    Virou rotina. Todo domingo à noite tenho crises de ansiedade, insônia, taquicardia, agitação...”

    Estou tendo que adquirir meu próprio material [de proteção] e o da minha família.”

    O medo do morador e o meu são o mesmo. Ele não quer ser infectado por mim, e eu não quero ser infectado por ele. Não temos como exercer com eficiência um trabalho de excelência.”

    Os depoimentos retirados da pesquisa “A pandemia de Covid-19 e os profissionais de saúde pública no Brasil”, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) a nível nacional, representa angústias dos profissionais de todo o Brasil. A pesquisa indica que uma grande porcentagem dos trabalhadores da saúde não se sentem preparados para o combate à Covid-19, e o medo de ser contaminado atinge mais de 80% deles.

    Os dados alarmantes representam uma realidade nacional, mas os relatos que recebemos desde o início da pandemia mostram que a insegurança e a insatisfação têm feito parte do cotidiano dos profissionais da linha de frente em Curitiba. E isso, não é à toa! Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que deveriam trazer mais segurança para os trabalhadores, tem sido muitas vezes, um pesadelo.

    Por que não recomendamos o uso das máscaras de tecido?

    As máscaras de tecido não têm eficácia comprovada, de acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) servindo apenas para diminuir a disseminação do Coronavírus por pessoas assintomáticas ou pré-sintomáticas. Sendo assim, elas não servem como equipamento de proteção, permitindo que quem a usa se contamine da mesma forma. Por isso, as máscaras de tecido não devem ser utilizadas por profissionais que estão em contato direto com a comunidade como substituição do equipamento de proteção adequado.

    As máscaras de tecido não têm controle de fabricação, não há vedação e por não serem descartáveis aumenta a possibilidade de contágio durante a manipulação. O uso incorreto pode gerar uma falsa sensação de proteção e aumentar ainda mais o contágio.

    Alegando dificuldade em conseguir os equipamentos, a Prefeitura começou a distribuir máscaras de tecido para servidores da assistência social, guardas, fiscais, e até mesmo enfermeiras! O discurso da administração é contraditório, pois por um lado, alega que mantém o estoque de EPIs cheio, e do outro, realiza assédio moral para que os trabalhadores se responsabilizem pela sua própria segurança.

    A utilização de máscaras de tecido vai contra TODAS as recomendações dos órgãos responsáveis. Em nota técnica a Anvisa deixa claro que os trabalhadores da saúde ou profissionais que tenham contato com pessoas infectadas não devem usar as máscaras de tecido. Sem testes para todos que apresentam sintomas e com um grande número de assintomáticos como os servidores que atendem a comunidade vão ficar seguros?

    Ainda de acordo com a Anvisa as máscaras de tecido devem ser trocadas em no máximo três horas. Um trabalhador da FAS que teve que comprar sua própria máscara teria que realizar a troca pelo menos duas vezes durante o dia, utilizando 10 máscaras na semana. O mesmo acontece com os Agentes de Combate às Endemias que receberam apenas uma máscara de tecido para a semana toda. E também os fiscais, que receberam uma máscara descartável desde o início da pandemia.

    Os trabalhadores têm se virado como podem, mas é dever da Prefeitura distribuir os EPIs corretos. Já são mais de 1100 infectados confirmados por testes em Curitiba, será que a gestão só vai tomar providências quando os trabalhadores começarem a adoecer? Nós não podemos deixar isso acontecer!

    Por isso, se você ainda está usando máscaras de tecido no seu trabalho, denuncie no canal Fala, Servidor! através do WhatsApp (41) 9661-9335. Com a força das denúncias continuaremos cobrando a Prefeitura para que realize seu trabalho!

    Imprensa SISMUC
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