Na Pauta

  • 20/05/2020 Saúde

    Fala, servidor: EPIs inadequados tornam ainda maiores os riscos de contágio na Odontologia

    Fala, servidor: EPIs inadequados tornam ainda maiores os riscos de contágio na Odontologia
    Arte: CTRL S
    Procedimentos da odontologia produzem aerossol e demandam EPI de alta proteção. Mas, na Prefeitura de Curitiba, nem aventais impermeáveis são distribuídos

    Devido às altas chances de contágio de servidores e usuários durante o atendimento odontológico, os dentistas deveriam receber equipamentos de proteção individual (EPIs) de alta proteção da gestão municipal, equivalentes ao recomendado a outros trabalhadores da saúde que realizam procedimentos com produção de aerossol em pacientes com covid-19.

    E, embora a Prefeitura diga que está tudo bem com os EPIs disponibilizados, a administração não tem seguido à risca as determinações da Anvisa, além de disponibilizar equipamentos muitas vezes de baixa qualidade.

    De acordo com estudos realizados pelo sindicato, os profissionais da odontologia deveriam utilizar os seguintes equipamentos para proteger mucosas de olhos, nariz e boca durante os procedimentos:

    - Para área facial: respirador facial completo ou então protetor facial (face shield), máscara n95 ou PFF2 e óculos com vedação;

    - Macacão impermeável ou, no mínimo, avental com proteção de braços, tronco e pescoço (áreas que podem ser atingidas com gotículas contaminadas);

    - Luvas;

    - Touca;

    - Sapatilhas.

    Só que essas recomendações não são seguidas pela Prefeitura. O avental disponibilizado, não é impermeável – o que foi demonstrado com teste simples feito pelos trabalhadores, que mostra a roupa molhada mesmo com o uso do avental. Além disso, entre os EPIs fornecidos não há proteção para a área do pescoço e nem as sapatilhas. 

    Entenda por que o risco de contágio é alto

    Durante o atendimento odontológico, não é possível manter o distanciamento do paciente e os procedimentos ainda geram uma grande taxa de aerossol e gotículas, que podem tanto infectar diretamente o servidor durante o atendimento, quanto permanecer no ambiente e infectar os demais pacientes.

    Durante a pandemia do novo coronavírus, os dentistas estão entre os trabalhadores altamente expostos à riscos de contaminação. Por isso, o serviço de odontologia da Prefeitura de Curitiba está atendendo apenas os casos de emergência. No entanto, essa medida não é suficiente para proteger os trabalhadores nem os usuários do serviço, já que as denúncias dos servidores dão conta de que a gestão não está distribuindo os EPIs oferecidos e muitas vezes sequer o intervalo de tempo maior entre as consultas para reduzir os riscos de contágio são respeitados.

    É importante destacar que com a circulação do vírus em Curitiba, a taxa de contaminação comunitária (quando não é possível especificar onde o contágio aconteceu) é alta e os números de casos é muito maior que o registrado oficialmente, já que o percentual de casos assintomáticos ou com sintomas leves é alto. Com isso, na prática, o trabalhador da odontologia não tem como ter certeza se os pacientes atendidos estão ou não infectados. Por isso, seria essencial redobrar os cuidados nesses atendimentos.

    Outro problema é a falta de medidas administrativas para aumentar o intervalo entre as consultas. Mesmo que o atendimento seja apenas para a emergência, de acordo com as denúncias dos servidores, acontecem casos de vários pacientes serem atendidos na sequência. Esse descaso aumenta e muito as chances de contaminação cruzada entre os pacientes.

    Um teste feito pela Universidade de Brasilia (UnB) mostra como as gotículas de água, potencialmente contaminadas (evidenciadas com corante vermelho para melhor visualização) podem atingir a área do rosto e pescoço dos trabalhadores da odontologia. Isso só reforça a necessidade urgente da proteção adequada. 

    Com isso, os trabalhadores da odontologia se sentem desvalorizados e até mesmo esquecidos pela gestão municipal. É o que relata a dentista Joana, na denúncia feita pelo canal Fala, Servidor.

    A Joana é um personagem fictício criada para preservar em sigilo a identidade dos servidores. Mas a denúncia e as situações vivenciadas são reais.

    Faça sua denúncia

    Se você enfrenta problemas no seu local de trabalho, faça sua denúncia pelo whatsapp (41) 99661-9335 (para servidores de Curitiba) ou pelo link: https://bit.ly/2WC0CiB

    Imprensa SISMUC SIFAR
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