Opinião

  • 26/07/2018

    Mais pobres sofrem com o aumento do gás de cozinha

    Mais pobres sofrem com o aumento do gás de cozinha
    Foto: Pedro Ventura/ Agência Brasília
    Aqueles que gerem a estatal, nesse momento, escolheram um caminho que estrangula o consumidor brasileiro

    A alta no preço do gás de cozinha e dos combustíveis tornou-se um grande problema para os brasileiros, pois o produto tem grande impacto no orçamento das famílias, sobretudo das mais pobres. O aumento afeta diretamente a taxa de inflação, elevando o custo de vida e depreciando o valor dos salários.

    A direção da Petrobras, em outubro de 2016, mudou a política de preços dos derivados de petróleo, em especial da gasolina e do diesel. Em julho de 2017, alterou também a política de reajustes do preço do gás de cozinha, o que tornou os aumentos mais frequentes, com o objetivo de estabelecer cotações mais próximas às do mercado global. O gás de cozinha é envasado em botijões de 13 kg e vendido nas refinarias da Petrobras para as distribuidoras. É chamado tecnicamente de gás liquefeito de petróleo (GLP). É o principal combustível de uso doméstico.

    A atual direção da Petrobras, uma estatal, que pertence ao estado brasileiro, optou por uma rota que vai na contramão daquilo que é feito por muitas empresas estrangeiras produtoras de petróleo

    DIEESE
    O valor do botijão de GLP residencial (13 kg) ficou congelado em R$ 13,51 nas refinarias da Petrobras, entre janeiro de 2003 e agosto de 2015. Em julho de 2017, estava em R$ 17,81 e, em dezembro desse mesmo ano, chegou a R$ 24,38, salto de 37%. A nova política de preços adotada pela direção da Petrobras para o GLP de 13 kg não leva em consideração a resolução 4/2005 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que “reconhece como de interesse para a política energética nacional a prática de preços diferenciados, por produtor ou importador, de gás liquefeito de petróleo (GLP), destinado exclusivamente a uso doméstico em recipientes transportáveis de capacidade de até 13kg, pois tem elevado impacto social, posto que seu custo de aquisição afeta a parcela da população brasileira com menor poder aquisitivo”.

    Segundo os dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que realiza levantamento semanal do preço do gás GLP, os reajustes médios para o consumidor, nas principais unidades da Federação, variaram entre 26,29%, no Maranhão, a 6,70%, no Amapá.

    Mais pobres pagam a conta

    Quem sente a mudança da política da Petrobras e o aumento do preço do botijão é o consumidor. O gás de cozinha é um item essencial para as famílias brasileiras. A inflação acumulada entre julho de 2017 e junho de 2018, para as famílias do estrato 1, foi de 3,49%. Só o gás de cozinha contribuiu com 0,74 p.p. da taxa acumulada para essas famílias nesse período. Já no índice geral, o aumento do gás representou 0,33 p.p. da taxa total de 4,24%. Uma família com renda média de R$ 1.500,00 (estrato 1) gastava cerca de R$ 71,00 por botijão, em junho de 2017, e passou a dispender em torno de R$ 86,00 em junho de 2018, ou seja, R$ 15,00 a mais, em média.

    Política perversa

    A análise dos impactos da alta do preço do gás de botijão mostra a perversidade da política de preços adotada pela atual gestão da Petrobras. O trabalhador mais pobre e sua família consomem boa parte da renda para adquirir o botijão de 13 kg. Para piorar, a tributação regressiva penaliza ainda mais os que ganham menos. Além de contribuir para arrochar os salários, a atual política piora a qualidade de vida de muitas famílias e ainda coloca em risco outras tantas, quando as obriga, por falta de recursos para adquirir o gás, a voltar a usar lenha e álcool para cozinhar.

    Vários acidentes têm acontecido em função dessa mudança. A atual direção da Petrobras, uma estatal, que pertence ao estado brasileiro, optou por uma rota que vai na contramão daquilo que é feito por muitas empresas estrangeiras produtoras de petróleo. Ou seja, aqueles que gerem a estatal, nesse momento, escolheram um caminho que estrangula o consumidor brasileiro, sobretudo, aqueles de mais baixa renda, ao adotar uma política de preços cujo principal objetivo é satisfazer aos interesses dos acionistas em detrimento do bem-estar da população.

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O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos é uma instituição de pesquisa, assessoria e educação do movimento sindical brasileiro.

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