Opinião

  • 01/03/2018

    A UPA CIC e a chantagem neoliberal

    A UPA CIC e a chantagem neoliberal
    Joka Madruga
    No caso da UPA CIC, Greca e Huçulak usaram do expediente de chantagem
    A secretária municipal de Saúde, Marcia Cecilia Huçulak, lançou uma pérola nesta semana, na Cidade Industrial de Curitiba, quando afirmou que, caso a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) não seja aberta em maio, a população deve acertar as contas com o sindicato municipal, o Sismuc.

    (Pelo respeito aos representantes dos trabalhadores também se mede o índice da democracia brasileira).

    Ainda em agosto de 2017, a Câmara de Curitiba aprovou o pacote de ajuste fiscal, apelidado de “pacotaço” de Greca, que incluiu medidas de corte nos institutos de Previdência Municipal de Curitiba (IPMC) e Curitiba de Saúde (ICS), congelou e transferiu o salário dos servidores, além de abrir alas para a contratação de Organizações Sociais (OS) nas áreas de Saúde e Educação – até então vetadas para a iniciativa privada nesses ramos.

    As medidas foram amargas. Porém, a transferência de local de votação para a Ópera de Arame, o helicóptero, o uso de força policial, gás lacrimogêneo e gás pimenta foram dolorosos. Servidoras de áreas como educação, saúde, assistência social, entre outras, queimaram seus jalecos em frente ao ponto turístico da capital paranaense.

    Então, com pouquíssimo debate com servidores e sociedade, Greca aprovou o pacote, sempre armado com a narrativa – para usar uma expressão da moda -, de que não havia outro jeito.

    Com isso, a gestão neoliberal aplica os seus princípios. Impressionante como o molde serve para diferentes circunstâncias, em diferentes regiões, a saber: desprezo pela democracia em períodos de crise, responsabilização dos sindicatos e trabalhadores como “culpados” pela situação, remédio amargo para os trabalhadores e gengibirra para a licitação a grandes grupos empresariais do lixo, transporte, informática etc.

    Chantagem

    No caso da UPA CIC, Greca e Huçulak usaram do expediente de chantagem. Aproveitaram-se do fato de que a UPA CIC, localizada na região da vila Barigui, fundamental para toda a região, está fechada há mais de um ano para reforma.

    É justo que os moradores da região sul queiram a abertura imediata. Porém, no espaço de debate com a comunidade, a gestão se aproveita dessa urgência para encerrar o assunto e transferir responsabilidade para a entidade sindical.

    Um colega lembra que esse modelo de chantagem é como se um médico falasse que precisa operar um paciente em grave risco de qualquer forma, sendo que existem outras formas de tratamento. Nesse sentido, seria direito do familiar, ou a comunidade, pedir uma segunda opinião sem que isso seja considerado falta de responsabilidade.

    O lado bonito da história é estar acompanhando que 17 associações de moradores e clubes de mães, uma delas formada basicamente por jovens da região do Sabará, lutaram pela reabertura da UPA, questionando também o formato de OS. Ou seja, a crítica não vem apenas de uma direção sindical. E agora recolhem abaixo-assinado pela revogação do formato de OS.

    A ação é simbólica. Nisso também reside a sua força neste momento. Afinal, é uma questão de respeito e é nessas horas de conflito que se percebe o quanto a gestão neoliberal deixa a janela da democracia apenas com pequenas brechas abertas.

    Pedro Carrano
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Pedro Carrano #@titulo@#

Repórter do jornal Brasil de Fato e diretor do Sindicato de Jornalistas do Paraná.

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