Opinião

  • 22/02/2018

    Todos os homens de Beto Richa

    Todos os homens de Beto Richa
    Além do caso do pedágio, lembre todos os casos que batem a porta do governador do Paraná

    A 48a ação da Operação Lava Jato bateu as portas do Palácio Iguaçu. Novamente. Dessa vez foram presos o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER/PR), Nelson Leal, e o advogado Carlos Nasser, assessor político junto à Casa Civil. A suspeita é de fraude em licitações do pedágio e lavagem de dinheiro na concessão de rodovias do Paraná. Segundo o MPF, no lugar de baixar em 18% os contratos, o governo estadual subiu em 25% o contrato com a Econorte. O governador Carlos Alberto Richa (PSDB), como habitualmente, determinou abertura de processo de investigação. Agora vai investigar o amigo Leal, que foi secretário de obras em Curitiba (aspas para dizer que as obras voltaram fortes em Curitiba) e chefiava o DER desde 2013.

    Passagem livre
    O diabo do processo de investigação é que Beto Richa também é suspeito nesse caso. A diferença é que, por ter foro privilegiado, a parte que envolve sua conduta está parada lá no STJ. Porque a lei é para todos, mas os tucanos são diferentes.

    Bate e volta na Na Casa Civil
    A Via Fácil do governo estadual não está abrindo cancelas. O secretário-chefe da Casa Civil do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), também está sendo investigado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apura caso de peculato e fraude em licitação. O desvio do amigo de Beto Richa em contratos na Assembleia Legislativa chega a R$ 7 milhões. Rossoni, pra quem não conhece, ficou famoso quando Aécio Neves (PSDB) disse que ele havia enlouquecido por cobrar o emplumado mineiro. O mineirinho pediu ao playboy a cabeça do colega de partido. Rossoni ainda é investigado por prevaricação. Quando presidente da Alep, ele segurou por três anos um pedido do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para investigar o governador.

    Óleo na pista
    Beto Richa também está envolvido na Operação Quadro Negro, que apura desvio de R$ 20 milhões em obras pela Construtora Valor na educação para construção de escolas. Neste caso, no carro de Beto Richa, três pessoas próximas estão sendo investigadas: Deonilson Roldo (secretário de Comunicação e Chefia de Gabinete), Ricardo Rached (assessor da Governadoria) e Ezequias Moreira (secretário Especial do Cerimonial). O próprio governador foi acusado por (PELO)dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, de reclamar do valor da propina: “Só R$ 300 mil”.

    Eixo duplo
    Aliás, Ezequias Moreira é um velho conhecido do noticiário paranaense desde 2007. Ele ficou famoso com o episódio da sogra fantasma enquanto Beto Richa era deputado estadual. Condenado pelo Tribunal de Justiça a seis anos e oito meses de reclusão, foi abrigado em uma secretaria criada apenas para ele pelo governador.

    Carona para o primo
    Luiz Abi Antoun, o primo distante de Beto Richa, com certeza não pega carona com o governador há muito tempo. Ou desde que foi condenado a 13 anos de cadeia por fraude em licitação no Departamento de Transportes do Governo do Paraná, na Operação Voldemort. Ao ser condenado, o juiz Juliano Nanuncio, da 3ª Vara Criminal de Londrina, afirmou que Antoun se utilizou de “laranjas” para vencer licitação.

    Amigos de Van
    Sabe aquele lance de que é necessário ter folha-corrida para participar do governo Temer? Pois é, no Paraná do governador Beto Richa sempre tem alguém enrolado. Vamos ver: Tem o Cássio Taniguchi, que era secretário dele e agora foi para o governo de Santa Catarina. O japonês do Palácio Iguaçu foi condenado por improbidade administrativa por distribuição de material destinado à propaganda política enquanto era prefeito da capital. Ainda tem o rolo com o amigo piloto de kart e ex-inspetor-geral de fiscalização da Receita Estadual, Marcio Albuquerque, condenado a 97 anos de prisão por chefiar esquema de corrupção na Receita Estadual do Paraná. Por fim, e não menos importante, subiu nessa van Marcelo Caramori, fotógrafo que tem tatuado “100% Beto Richa” (nem nisso Temer é original). Ele tinha envolvimento com exploração sexual de crianças e adolescentes.

    Carga Pesada
    Um áudio entre Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS, colocou Beto Richa no cenário nacional novamente. Ele é chamado de “coitadinho” por pegar baixa propina a vista. Disse Saud: “Os governador, coitadinhos… Beto Richa… Pegou tudo em dinheiro no (ininteligível)… Foi eu aquele (ininteligível) entregar pro Beto… Beto Richa…”

    Manoel Ramires
Ver índice de opinião

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba
Rua Monsenhor Celso, 225, 9º andar. Conjunto 901/902 - Centro. Curitiba- PR. Cep: 80010-150     Fone/Fax: (41) 3322-2475     E-mail: sismuc@sismuc.org.br

DOHMS