Opinião

  • 20/11/2017
    revista Ágora

    Zumbi: um símbolo da resistência

    A luta negra continua muito atual e se consolida como uma das grandes causas da humanidade

    Em 20 de novembro se marca mais uma vez o Dia da Consciência Negra. Momento em que celebramos a luta, a resistência negra no processo de formação da sociedade brasileira. Nesta data lembramos um dos grandes símbolos da luta negra, Zumbi dos Palmares. Em vários estados e municípios, a data é comemorada como feriado. Em Curitiba, mesmo com uma Lei aprovada na Câmara Municipal, desde 2013, não temos o feriado. Isto em virtude de decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, que acatou pedido de suspensão do feriado feito pela Associação Comercial do Paraná. Isto propiciou uma das cenas mais emblemáticas da luta negra no Paraná nos últimos anos.

    Interesses econômicos e racismo 

    Centenas de lideranças negras fizeram, em novembro de 2013, dois atos públicos históricos em frente ao Tribunal de Justiça e em frente à Associação Comercial do Paraná, para questionar o argumento principal dos contrários ao feriado: as tais razões econômicas. Diziam no Manifesto do Comitê Zumbi dos Palmares: “Mas não é de hoje que conhecemos o bom e velho fundamento econômico. Pois também por motivos econômicos, por mais de 300 anos negros foram sequestrados de suas terras, comercializados e coisificados. Por motivos econômicos, os negros engrossam as favelas, compõem a parcela mais pobre da população, recebem os menores salários e compõem a grande maioria dos presos no sistema carcerário do Paraná (...). Neste sentido, entendemos que os interesses econômicos, se confundem tão profundamente com o racismo enraizado na nossa sociedade”.

    A política é feita de símbolos

    Os símbolos de resistência constituem-se também como grandes mecanismos de educação e formação da sociedade. São momentos de tirar o véu, de revelação de mazelas sociais, na maioria das vezes encobertadas pelos mecanismos ideológicos de dominação econômica, social ou étnico-racial. Hoje, através do gesto de protesto de atletas norte-americanos, o mundo todo observa que a igualdade racial naquele país, ainda está distante de ser alcançada. Muito pelo contrário, a eleição de Trump deu um certo empoderamento aos racistas, defensores da supremacia branca.

    Vidas negras importam 

    O protesto pacífico e silencioso teve início com o atleta de futebol americano Colin Kaepernick, que dobrou um joelho durante a execução do hino nacional norte-americano antes dos jogos do San Francisco 49ers. O gesto tem sido realizado por vários atletas americanos. No último período são visíveis vários movimentos de rua naquele país, contra a violência contra negros. As palavras de ordem “Vidas Negras Importam” chegam aos quatro campos do mundo. Slogan muito próximo ao que se tinha na Marcha Silenciosa de Protesto, com mais de 10 mil pessoas, ocorrida em Nova York, no dia 28 de julho de 1917: “Me dê uma chance de viver”. A luta negra continua muito atual e se consolida como uma das grandes causas da humanidade.

    Luiz Carlos Paixão
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Luiz Carlos Paixão #@titulo@#

Mestre em Educação, professor da rede pública estadual, militante das lutas sociais e ex-candidato a deputado federal

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