Opinião

  • 02/10/2017

    A visível invisibilidade LGBTI

    A visível invisibilidade LGBTI
    Joka Madruga
    A escola de pernas para o ar 2

    No dia 11 de julho de 2017 foi protocolado na Câmara Municipal de Curitiba o projeto de lei de autoria dos vereadores Ezequias Barros (PRP), Osias Moraes (PRB) e Thiago Ferro (PSDB) que versa sobre a instituição do "Programa Escola sem Partido" em Curitiba.

    O projeto (005.00275.2017) diz que “o Poder Público não se envolverá na orientação sexual dos alunos nem permitirá qualquer prática capaz de comprometer o desenvolvimento de sua personalidade em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, sendo vedada, especialmente, a aplicação dos postulados da teoria ou ideologia de gênero”.

    O desafio é levar a discussão LGBTI – no âmbito dos sindicatos para toda a sociedade, e resistir em todas as frentes para acabar com as discriminações e desigualdades.

    A justificativa, dizem os autores, é para garantir o respeito à dignidade da pessoa humana; a neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado; o pluralismo de ideias.

    Por sua vez, em 2015, o Plano Municipal de Educação (PME) da cidade de Curitiba retirou as expressões “diversidade” e “gênero” (005.00129.2015). Uma decisão do plenário da Câmara Municipal, mediante a aprovação de dez emendas específicas sobre o assunto – 70% das alterações feitas no PME.

    Segundo o PME (que compreende não só a população LGBT, mas inclui homens e mulheres, negros, indígenas, ciganos, quilombolas, cidadãos em situação de risco e extrema pobreza, moradores de rua, refugiados e imigrantes), a diversidade deveria ser tema de discussão na formação dos profissionais de educação, nas redes pública e privada de Curitiba. Aprovado da forma como chegou à Câmara, as diretrizes e projetos político-pedagógicos ou curriculares das instituições de ensino iriam ter que contemplar a educação em diversidade, justiça social, inclusão e prevenção à violência, temas inadmissíveis para a sociedade da República de Curitiba. Pelo menos é o que pensam os autores e alguns apoiadores do projeto, tendo inclusive um dos vereadores classificado a ideologia de gênero como “rebelião contra Deus”, “perversão final do individualismo” e “negação da família”.

    O que se pretende na verdade, é inibir a reflexão critica e retirar da escola o papel de tratar qualquer tema que venha na contramão dos interesses de um único grupo, um único pensamento ou que coloque em cheque, o modelo de família tradicional.

    O Escola Sem Partido quer impedir a discussão de outra visão, que não o imposto pelo “status quo” de uma sociedade, reacionária, preconceituosa, assediadora e homofóbica, que busca negar a existência de outras possibilidades de modelos familiares, outras orientações sexuais e um outro modelo de mundo, onde haja de fato o respeitoà diversidade.

    As retiradas de direitos sempre começam com os grupos mais vulneráveis e acabam atingindo a todos. Defender as diferenças é defender nossos próprios direitos.

    No serviço público, se faz imprescindível levantar o número de trabalhadores LGBTI que sofrem assédio. A homofobia está inserida no local de trabalho, como na sociedade e não podemos nos calar, nem tão pouco permitir que esta luta continue sendo árdua e solitária. Precisamos nos solidarizar e mostrar que ninguém precisa sofrer em silêncio.

    O desafio é levar a discussão LGBTI – no âmbito dos sindicatos para toda a sociedade, e resistir em todas as frentes para acabar com as discriminações e desigualdades.

    A solidariedade é a maior arma contra o preconceito, e com informação, vamos estimular uma cultura de tolerância e respeito , superando assim todas as barreiras.

    Adriana Kalckmann
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Coordenadora do Sismuc

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