Opinião

  • 18/09/2017
    revista Ágora

    I COMPORTAMENTO I O ódio contra ataca

    Movimentos da extrema direita perdem a vergonha nos Estados Unidos e podem influenciar autoritarismo no Brasil

    Na década de 1940 parecia não haver dúvidas: era preciso eliminar o nazismo. Quase 80 anos depois, o discurso da supremacia racial ganha força mais uma vez, ironicamente nos Estados Unidos, e o fascismo segue firme e forte no Brasil e em outros países em que “bandido bom é bandido morto”.

    Charlotesville, no estado da Virgínia (EUA), foi palco de um protesto chamado “Unir a direita” (tradução livre de “Unify the right”) no dia 12 de agosto de 2017, em que neonazistas, membros da Ku Klux Klan e simpatizantes do movimento “alt-right” (“direita alternativa”, em tradução livre) norte-americano marcharam em favor da supremacia branca.

    Durante o protesto, uma mulher chamada Heather Hayer foi assassinada por um homem que atravessou uma multidão de manifestantes antifascistas com seu automóvel, ferindo-a mortalmente. O fato ocorre 74 anos após a derrota da ideologia nacionalista encabeçada por Adolf Hitler.

    A crescente ousadia fascista é alimentada pelo teor ufanista da campanha eleitoral do atual presidente estadunidense, Donald Trump, que continua a jogar gasolina no fogo  ao não condenar inequivocamente os atos da extrema-direita no país. 

    Apenas após dois dias de grande pressão midiática e de grupos da sociedade civil o político lamentou as ações dos terroristas domésticos. Por outro lado, a presença de manifestantes antifascistas, conhecidos como Antifa e atuantes em táticas Black Bloc, tem sido o único freio ao crescimento da violência de direta ao redor do mundo.

    Após um novo protesto com menos de 50 supremacistas brancos ser confrontado com a presença de 44 mil manifestantes antifascistas, de acordo com a Polícia de Boston (EUA), o grupo “America First” (“Primeiro a América”, em tradução livre, referindo-se aos EUA) cancelou 67 manifestações ao redor do país. A organização optou por realizar atos pela internet, temendo represálias populares contrárias à ideologia da supremacia racial.

    No Brasil, cresce a ideologia autoritária de quem crê na “ponte para o futuro”, enquanto a riqueza do país se concentra cada vez mais nas mãos de quem diz que agro é pop, que bandido bom é bandido morto e que só Jesus salva. Mas existe esperança na resistência, basta a esquerda acreditar na força do povo.


    Phil Batiuk
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