Opinião

  • 05/09/2017
    Editorial do Jornal do Sismuc

    Os capachos do Greca

    É preciso reconhecer: não é fácil a tarefa de ser um capacho. No campo, a História brasileira registra a figura dos “capitães do mato”

    É preciso reconhecer: não é fácil a tarefa de ser um capacho. 

    No campo, a História brasileira registra a figura dos “capitães do mato”, que era a gente pobre que fazia o trabalho sujo do coronel, em troca de alguns benefícios.

    Em Curitiba, infelizmente, temos uma situação parecida. Os 28 vereadores da base do prefeito Greca têm sido testas de ferro de medidas impopulares do nosso alcaide fanfarrão.

    Capitaneados pelo líder do governo, Pier Petruziello (PTB) e pelo presidente da Câmara, Serginho do Posto (PSDB), “posto” onde ele deve abastecer o “tratoraço” de certo, os vereadores simplesmente aprovaram, em pouco mais de um semestre, várias medidas que escolhem os trabalhadores do município para pagar a conta do ajuste fiscal.

    Foram aprovados cortes na condição de vida dos servidores públicos; a terceirização na saúde e educação para preencher equipamentos públicos prontos e sem uso; apresentação de um projeto que criminaliza os professores e a liberdade de expressão em sala de aula – o “Escola Sem Partido”, apresentado por Thiago Ferro (PSDB), ao lado de Ezequias Barros (PRP) e Osias Moraes (PRB) - com aval do grupelho de segurança privada do Movimento Brasil Livre (MBL) e do “liberal” Eder Borges – quem detesta o Estado, mas ama um cargo comissionado. Aliás, vereadores esse acusados de corrupção pelo Ministério Público do Paraná.

    Os vereadores, com isso, ficam como pobres cãezinhos de guarda de Greca, enquanto o prefeito publica belas fotos, memórias e desfila o seu conhecimento de província no Facebook. São os vereadores que, eleitos pela sociedade nos bairros e entidades, devem prestar contas aos servidores públicos, que têm protestado em frente à Câmara Municipal – um espaço que cada vez mais avesso à participação popular e cada vez mais com a presença de policiais no entorno. Onde fica a tal casa do povo? A democracia? O respeito?

    Essa tensão é fácil de ser percebida na postura de Pier Petruziello, sempre com a postura agressiva e na defensiva, que chegou até a agredir verbalmente a vereadora professora Josete (PT) durante o trâmite de votação do pacotaço de ajuste fiscal. As justificativas absurdas de Petruziello exemplificam o desespero: ele chegou a afirmar que à população não interessa se “é terceirizada ou não a gestão de uma unidade de saúde” – como se não interferisse a qualidade do trabalho do servidor, as condições, a precarização e como se remanejamento de funcionários ao Deus dará não prejudicasse o serviço público. O vereador está precisando ir mais a campo para conhecer a realidade.

    Resta aqui destacar a posição dos vereadores de oposição que, sem conformar uma bancada, têm, no entanto, tido uma postura com bom senso nas votações. Mais do que isso, exigindo o óbvio: que esses assuntos sejam debatidos nas comissões e em audiências públicas com a população. Sem atropelos, violência e falta de democracia. Mas nem isso tem sido respeitado.

    Aos vereadores da situação, que não querem servir apenas à sociedade protetora dos animais, fica o apelo: se vocês têm o mínimo de dignidade e o mínimo de identidade com o povo, que ao menos decidam com um pouco de independência. Como já escreveu um dos vereadores da oposição: poder transitar e receber o respeito dos trabalhadores depois das votações, não tem preço!

    Sismuc
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