Opinião

  • 18/08/2017
    revista Ágora

    Democracias, golpes e falta de representatividade no Brasil (e na América Latina)

    Fica a pergunta: Por que o medo de uma Constituinte?

    A campanha "Venezuela Coração da América", lançada pelos movimentos sociais para defender o direito à Constituinte naquele país, expõe o debate sobre a participação efetiva do povo nos rumos de um país. Fica a pergunta: Por que o medo de uma Constituinte? 

    A fragilidade das democracias na América Latina reside também no seu desvinculo com a vida das pessoas. Desde 1991, caíram 17 presidentes em nosso continente. Porém, um detalhe: 13 deles foram tirados pela insatisfação aplicando programas neoliberais, outros três presidentes de esquerda foram derrubados de forma institucional. E, desde os anos 2000, quando acontece a “primavera” de governos em vários países com políticas populares, foram sete tentativas de golpes institucionais.

    Sete tentativas de golpes contra presidentes populares

    Foram sete tentativas de golpes contra presidentes com programa popular e de políticas públicas. Contra Chávez (Venezuela, 2002), Aristides (Haiti, 2004), Evo Morales (Bolívia, 2008), Zelaya (Honduras, 2009) Correia (Equador, 2010), Lugo (Paraguai, 2012) e contra Dilma Rousseff, em 2016. Em comum, a participação, direta ou indiretamente, dos EUA, o encaminhamento do golpe via parlamento, e o fomento artificial de uma classe média de “oposição” ao regime, reivindicando uma oposição popular - caso da Bolívia, Brasil e Venezuela.

    Polarização na disputa política

    Com isso, as eleições mais recentes nos países do continente, desde 2014 (veja imagem) foram muito mais disputadas. Nas mais recentes dez eleições na América do Sul, seis delas foram com margem menor que 5% de diferença. Candidatos neoliberais ganharam três eleições (Paraguai, Argentina e Peru). A esquerda venceu em cinco eleições (Brasil, Equador, Venezuela, Bolívia Chile, Uruguai e Venezuela), três delas com pouca margem de diferença.

    No Brasil, menos partido e legendas de aluguel

    Partido “Novo”, PSD de Kassab, Rede de Marina Silva, etc. Partidos surgem ou se reciclam com o discurso da “nova política”, somando 35 ao todo no Brasil. Com isso, é urgente uma reforma que acabe com legendas de aluguel.

    Cabeça de cacique

    Um partido não surge da cabeça de velhos caciques, mas da mobilização real de setores da sociedade e dos trabalhadores. O Podemos, encabeçado por Álvaro Dias, não tem nada a ver com a experiência popular da Espanha. Por isso uma Constituinte popular, que envolva a participação de setores da sociedade, para repensar o sistema político, é temida no Brasil. Assim como na Venezuela.........

    Pedro Carrano
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