Opinião

  • 08/08/2017
    Radar da Luta - Brasil de Fato

    Aprimoramento da comunicação dos trabalhadores no local de trabalho

    Da parceria entre o Sindicato dos Petroquímicos e o Brasil de Fato surgiu a ideia do I Curso de Comunicação Sindical

    De uma história de lutas conjuntas e apoio mútuo entre o jornal Brasil de Fato e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR), surgiu a ideia do I Curso de Comunicação Sindical.

    O programa do curso apontou a troca de conhecimentos entre a redação do jornal e a direção do sindicato que, há 30 anos, produz um boletim chamado “Resistência”, que já alcança o número 1204.

    Produzido em formato A4, sem pretensões formais, o Resistência traz o conteúdo das lutas dos petroquímicos e é distribuído no local de trabalho, na unidade da Fafen Fertilizantes, que fica ao lado da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (região metropolitana de Curitiba) e engloba quase 400 trabalhadores.

    É uma espécie de “zine sindical” e histórico. Os próprios diretores produzem piadas com alguma chefia assediadora, fazem crônicas e informes para a categoria.

    Recentemente, sentiram a necessidade de envolver a diretoria mais jovem para dar sequência à produção do material.

    Chama a atenção como, mesmo em uma categoria antenada com as novas tecnologias, eles apostam na manutenção do suporte impresso.

    A unidade da Fafen Fertilizantes está hoje sob o controle da Petrobrás, depois de ter passado pela privatização em 1992. De lá para cá, o controle acionário se alternou entre a Bunge e a Vale, até a recondução ao controle da Petrobrás – com políticas e ataques aos direitos trabalhistas diferentes em cada período.

    Durante o curso, embora sem a pretensão de analisar cada texto como “melhor ou pior”, optamos pelo caminho provocativo de Claudia Santiago e do saudoso Vito Gianotti: como melhorar e tornar mais direta a comunicação com os trabalhadores? Para isso, foram elaborados três eixos para o curso, montado com a própria direção sindical, a partir de suas demandas:

    a) Debater tipos de textos e características de cada narrativa, usando exemplos da produção de reportagens do Brasil de Fato e do boletim Resistência;

    b) Como realizar uma análise de conjuntura e também uma visão crítica da mídia;

    c) Com o auxílio das técnicas de narrativas analisadas no curso, os participantes elaboraram pautas a partir de problemas do local de trabalho.

    Neste último item, ficou nítido em que medida o mundo do trabalho é invisibilizado pela mídia comercial. Basta pensar sobre quantas notícias ocorrem diariamente e não temos contato sobre saúde e segurança do trabalho, assédio moral e acidentes de trabalho, além de questões relacionadas às unidades de produção como é o caso da Fafen.

    A proposta do curso, na qual os trabalhadores produzem suas próprias notícias e textos, não substitui a comunicação formal do sindicato: nada mais é que uma forma de expressão direta entre a base sindical. Uma comunicação por local de trabalho, indispensável para a organização dos trabalhadores, ainda mais em tempos de sérios ataques via reforma trabalhista.

    Com as novas tecnologias, a possibilidade de formação de grupos de debates, páginas no Facebook e no Whatsapp multiplicam-se entre os trabalhadores. Ainda assim, o peso da “norma culta”, das opressões, de uma educação formal e impositiva, ou mesmo falta de tempo disponível para o lazer e estudo, inibem muitos trabalhadores para se expressar ou fazer uso desses espaços.

    Daí a importância do curso, não só para o aprimoramento da escrita, mas para dar confiança aos trabalhadores, que admitiram na abertura das atividades a pressão de escrever conforme um padrão “oficial” ou norma culta.

    A proposta do Brasil de Fato Paraná é que o curso possa ser levado a outros sindicatos, seja aos delegados sindicais, dirigentes e integrantes da base. Uma comunicação ampla e eficiente dos trabalhadores significa também a possibilidade de mais entrada e fortalecimento da comunicação da esquerda.

    *com colaboração de Carolina Goetten, Daniel Giovanaz, Ednubia Ghisi, Franciele Petry Schramm.

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    Edição: Ednubia Ghisi

    Pedro Carrano
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