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Opinião

  • 06/06/2017
    revista Ágora

    Mundo bélico

    Trump ameaça o mundo com mais uma guerra, agora é contra a Coreia do Norte

    O recém empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça criar mais uma guerra no mundo, desta vez contra a Coreia do Norte, o que traz o risco de ser uma guerra com o emprego de arma nuclear.

    Os elementos de fundo desta prometida escalada bélica do governo estadunidense precisam ser entendidos. As explicações de que Trump é fora da casinha são respostas muito fáceis a um problema muito mais complexo e que diz respeito ao atual estágio da economia mundial capitalista em crise.

    Em primeiro lugar, fazer guerra corresponde a uma necessidade da principal indústria bélica do mundo, a dos Estados Unidos, assim como de outros países capitalistas chamados de avançados.

    Donald Trump acabou de aumentar em 10% os gastos militares estadunidenses, o que eleva estas despesas em mais de 50 bilhões de dólares, ou seja, em mais de 150 bilhões de reais. Através da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) os Estados Unidos estão pressionando os países membros a expandirem seus gastos militares para, no mínimo, 2% do PIB, o que representa muitos bilhões de dólares de acréscimo com esse tipo de despesa.

    Essa escalada de novos investimentos em gastos militares faz enorme pressão – juntamente com as dívidas públicas acrescidas para o salvamento dos bancos com a crise das subprimes de 2008 - para que sejam comprimidos ainda mais os gastos em serviços públicos em nome de despesas destrutivas. É assim nos Estados Unidos e nos países da Europa, bem como na China, na Coreia e no Japão.

    Os Estados Unidos, com a justificativa de defender-se dos mísseis balísticos de longo alcance da Coreia do Norte, está instalando, a 250 Km ao sul de Seul, capital da Coreia do Sul, um sistema de defesa antiaéreo cuja conta vai sobrar para o povo sul-coreano. Declarou Trump:

    “Eu já informei à Coreia do Sul que será apropriado que eles paguem. É um sistema de cerca de 1 bilhão de dólares. É fenomenal, isso destrói os mísseis diretamente no céu”, disse à agência Reuters.

    Guerra gera lucro

    Fenomenal mesmo vão ser os lucros das indústrias estadunidenses encarregadas de instalar essas baterias antiaéreas.

    Recentemente, os Estados Unidos lançaram sobre o território do Afeganistão uma grande bomba não-nuclear chamada de GBU-43, também batizada popularmente de “a mãe de todas as bombas”, por sua capacidade destrutiva. Apresentada como uma arma de “choque e pavor” cada ogiva da GBU-43 custa 16 milhões de dólares (50 milhões de reais). Seu uso, além de atemorizar tem o intuito de fustigar por uma nova corrida armamentista capaz de aquecer um mercado muito apreciado pelos investidores da bolsa de valores de Wall-Street.

    Não podemos perder de vista que a guerra tem sido um grande negócio capitalista, um meio de subjugar povos, abocanhar riquezas naturais e impor mercados.

    O rufar de tambores de Trump contra a Coreia do Norte, além de servir para fomentar a indústria bélica dos Estados Unidos, aquecendo o mercado de ações de Wall Street, tem também como objetivo correlato um forte jogo de braço com o governo chinês para que abra ao mercado suas grandes empresas estatais, seu sistema financeiro que continua estatal, e que somam trilhões de dólares. Na verdade, a pressão militar real e principal dos Estados Unidos é sobre a China, usando a Coreia do Norte (aliado declarado e sustentado pelos chineses) como pretexto para um reforço da presença militar de suas tropas e de um enorme arsenal de guerra naquela região do pacífico.

    Hegemonia Xiling Lingue

    Na verdade, trata-se da formação de um poderoso cordão bélico para isolar a China e pressioná-la a aceitar as condições de um capitalismo em crise e que precisa retomar para o controle privado um volume de riquezas que a revolução proletária chinesa de 1949 retirou do controle do mercado capitalista mundial e desenvolveu como propriedade do Estado chinês. Não é de menor importância que Trump tenha autorizado o bombardeio ao aeroporto militar Sírio, no último 7 de abril, durante um jantar com o presidente chinês Xi Jinping, aliado com a Rússia do governo de Bashar Al-Assad, numa clara demonstração de advertência contra a própria China.


    Por ora, o governo chinês aceitou retaliar a Coreia do Norte, a pedido dos Estados Unidos, cortando parte de suas importações de carvão, o que tem impacto na economia da Coreia do Norte.

    Muito embora o objetivo declarado por Trump e seus aliados da OTAN seja tão somente o de buscar dissuadir o mandatário coreano Kim Jong-un a desistir de seu plano de construir a bomba atômica, a face oculta é o alvo central dos Estados Unidos por detrás de tudo é o de dobrar a resistência dos governantes do Partido Comunista Chinês em submeter-se completamente às demandas de Wall Street por privatizar o máximo dos ativos nas mãos do Estado chinês. Essa é uma questão polêmica e que cria tensões na cúpula chinesa dado o receio da reação popular que pode advir de uma brutal retirada de direitos conquistados, a começar pelo emprego e moradia.


    Através da guerra bélica ou da guerra governamental, policial e midiática pela retirada de direitos dos trabalhadores e dos povos, em todo o mundo o capitalismo não pode sobreviver senão ameaçando destruir a civilização humana. Esse é o motivo pelo qual os trabalhadores de todo o mundo devem se unir contra a guerra, a exploração e o trabalho precário. Esse foi o sentido de uma Conferência Mundial realizada em 2016 em Mumbai, na Índia, que constituiu o Comitê Operário Internacional para ajudar na luta solidária mundial contra a guerra e a exploração.

    Anísio Garcez Homem
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Anísio Garcez Homem #@titulo@#

É escritor, tradutor, editor e militante das causas sociais

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