Opinião

  • 17/04/2017
    revista Ágora

    Próxima parada: greves pelo mundo

    Ágora resolveu fazer um tour por alguns países e ver como os trabalhadores fazem suas manifestações

    Até 2016, as manifestações contra o governo Dilma Rousseff eram lição de civilidade e patriotismo. Passado o golpe, as ruas seguem cheias, mas agora contra os políticos de plantão. Só que esses, ao invés de respeitar os movimentos, agora tenta desmoralizar os trabalhadores. Muitos prefeitos chamam os grevistas de preguiçosos e vagabundos, demonstrando uma faceta autoritária. 

    O prefeito de Curitiba Rafael Greca, por exemplo, disse que preferia o modelo grevista alemão, sugerindo que no país germânico não existe paralisações. Ocorre que no começo de fevereiro uma greve geral parou os aeroportos na Alemanha. De olho nisso, a revista Ágora resolveu fazer um tour por alguns países e ver como os trabalhadores fazem suas manifestações. Nesse roteiro se percebe que no Brasil ainda se tá light. Confira:

    País: Argentina

    Localização das Greves: Além das greves por categoria, professores, aeronautas, bancários, há greve gerais contra a políticas econômicas recessivas. Assim foi contra os presidentes Raúl Alfonsín (1983-1989) e Fernando De la Rúa (1999-2000) que acabaram renunciando muito pela pressão das ruas. Foi chamada uma greve geral para a CGT Argentina para abril.

    Principal Central: CGT Argentina

    Como se mobilizam: As greves argentinas se contabilizam por gigantescas manifestações de rua e de forte adesão, parando todo o setor que está em greve ou paralisando o país em greves gerais.

    Fique de Olho: Há uma cultura de mobilização e consciência de classe na Argentina, que às vezes surpreende a todos. Além dos setores trabalhadores clássicos que cruzam os braços, o jogadores de futebol deste país voltaram há pouco de uma greve de mais 3 meses, parando o campeonato nacional.

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    País: França

    Localização das greves: Caminhoneiros, ferroviários, controladores de voo e funcionários do setor de energia, além de servidores públicos e bancários. Existe também a tradição das greves gerais contra medidas recessivas ou contra retiradas de direitos. Precisa se ressaltar que os trens e metrôs são a base do transporte público e do escoamento de produção.

    Principal Central : CGT francesa

    Como se mobilizam: Fortes manifestações de rua, marcado por conflitos intensos com a polícia, com barricadas e pneus em chamas. Nas greves de maio de 2016, o setor elétrico das refinarias levaram o país ao desabastecimento de energia e petróleo.

    Fique de Olho: As greves de 2016 contra a Reforma trabalhista que retira direitos históricos dos trabalhadores levaram 1 milhão de pessoas as ruas. A reforma foi aprovada, pois o governo se utilizou de dispositivo constitucional, aprovando sem votação no plenário.

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    País: Alemanha

    Localização das Greves: O movimento sindical se organiza em ramos de atividades, na indústria, nas ferrovias, no setor de serviços (bancários, comerciários, securitários, jornalistas, radialistas, gráficos e trabalhadores dos correios) e nos setor público. As greves são mais escassas que na Argentina e na França, entretanto, de grande capacidade de mobilização.

    Principal Central: A DGB. Se destacam também os sindicatos de ramos com IG METTAL, Sindicato Verdi e a Federação Alemã dos Servidores Públicos (DBB).

    Como se mobilizam: As greves por ramos de atividades econômicas possuem grande capacidade de mobilização e de impacto. As greves dos maquinistas, por exemplo, causaram um prejuízo a empresa estimado em 10 milhões de euros por dia, o que somou 220 milhões de euros desde o começo do conflito há mais de oito meses. Outros sindicatos do ramo de serviços pararam mais 400 mil trabalhadores creches.

    Fique de Olho: O Sindicato VERDI convocou uma greve em fevereiro de 2017 nos aeroportos alemães que paralisou os serviços aéreos.

    Cesar Schütz
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