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Opinião

  • 20/03/2017
    Ponto de Vista/ Revista Ágora

    10 termos para compreender a luta das mulheres contra o patriarcado

    O empoderamento feminino é um processo que as mulheres passam ao adquirir ferramentas para combater a opressões

    A luta contra o patriarcado é de toda a sociedade, pois é uma das piores causas da opressão à mulher. O feminicídio - pode-se dizer - que é uma forma extremada de misoginia; os crimes de lesbofobia tem sua origem no machismo, um dos pilares do patriarcado. A discussão de gênero é ampla e, interseccionando com as questões de raças, etnia, de grupos LBTGI, entre outros, contribuem para o empoderamento e emancipação das mulheres na busca por maior representatividade na política, na mídia na economia, e em todas as outras esferas da sociedade. Nas eleições municipais de 2016, por exemplo, as mulheres foram subrepresentadas: 23% das cidades brasileiras não elegeram nenhuma mulher para as Câmaras de Vereadores. Dos 5.570 municípios, 1291 cidades não tiveram nenhuma mulher eleita e 1963 elegeram apenas uma vereadora. Essa breve introdução destaca alguns termos pertencentes ao universo da luta das mulheres e das feministas. Veja abaixo uma breve explicação de cada uma deles

    1- Patriarcado - O patriarcado é um sistema social baseado na ideia de que os homens controlam as mulheres. O que o sustenta é o machismo, o qual mantém os privilégios dos homens e descaracteriza e inviabiliza a participação e contribuição das mulheres em processos sócio históricos, já que esse é um sistema de dominação-exploração das mulheres, mantendo-as em uma categoria inferior e subalterna.

    2 - Machismo - O machismo faz parte da estrutura do sistema patriarcal e é um tipo de opressão sofrida pelas mulheres em sociedades que seguem esse sistema. Ele ocorre de forma expressa e sutil, e se sustenta na ideia da superioridade masculina, proporcionando privilégios aos homens, que ocupa o lugar de poder na opressão de gênero. A mulher não pode ser considerada machista, mas pode, sim, nas suas interações sociais, tornar-se uma reprodutora do machismo.

    3- Feminismo - Trata-se de movimento social, político e filosófico que surge de forma organizada no século 19, com as sufragistas - movimentos articulados e liderados por mulheres no fim do século 19 e início do século 20 pela conquista do direito à cidadania política feminina, por meio do direito das mulheres poderem votar e serem votada. Foi no século XX que se tornou um movimento mais estruturado, organizado e liderado por mulheres contra a opressão de gênero mantida pelo patriarcado. Do surgimento à atualidade, houve muitas mudanças e hoje o feminismo é entendido na sua pluralidade. O Feminismo emancipacionista, por exemplo, compreende que a opressão de gênero tem bases estruturais, mas se constrói culturalmente, adquirindo, portanto, relativa independência, passando a interagir, de maneira própria, com a opressão de classes e as demais formas de opressão da sociedade, como a de raça, orientação sexual, entre outros. O avanço nos estudos de gênero tem possibilitado o entendimento de vários “feminismos” ou do feminismo plural. Na atualidade, a luta contra a opressão de gênero se insere na luta contra todos os elos de opressão e pela conquista de uma sociedade radicalmente nova, sem discriminação de sexo/gênero, de raça e de classe.

    4 - Interseccionalidades - As perspectivas de análises interseccionais dentro dos estudos de gênero possibilitaram pensar como as opressões sofridas pelas mulheres se entrecruzam e são combinadas. Mulheres negras são duplamente oprimidas por serem mulheres e negras. Desconsiderar essas intersecções é negar que a estrutura do racismo, do patriarcalismo, da opressão de classe e de outros sistemas discriminatórios criam desigualdades.

    5 - Misoginia - É o ódio, aversão e o desprezo contra as mulheres; é quando o machismo é levado ao extremo e as ações levam à discriminação e violência contra as mulheres. A hostilidade ocorre em determinadas situações e na maioria dos casos o comportamento de negação e depreciação às capacidades das mulheres é preponderantemente masculino.

    6 - Feminicídio - É o nome que se dá ao assassinato de mulheres por motivos específicos de gênero. Designa a causa da morte de mulheres que são mortas/assassinadas só por serem mulheres. A Lei do feminicídio (13.104/15), alterando o código penal, inclui o feminicídio como modalidade de homicídio qualificado, isto é, quando o crime for praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.

    7- Lesbofobia - É entendido como aversão e preconceito contra lésbicas e inclui várias formas de opressão direcionada a mulheres que relaciona afetivamente com outras mulheres, negando-as como indivíduo, casal ou como um grupo social.

    8 - Gaslighting ou gas-lighting -Ocorre geralmente quando o parceiro - em uma relação amorosa - faz a mulher acreditar que ela é psicologicamente instável. Gaslighting, sem uma tradução ainda bem definida, pode ser entendido como uma forma de abuso psicológico (ou violência emocional) e se manifesta quando o abusador omite, distorce ou inventa informações ou dados tentando fazer a parceira/vítima se convencer que está ‘louca’ ou ‘paranóica’. O gaslighting geralmente acontece em um relacionamento abusivo, que é quando o parceiro faz o abuso psicológico no intuito de controlar a mulher/namorada/esposa.

    9 - Empoderamento- O empoderamento feminino é um processo que as mulheres passam ao adquirir ferramentas para combater a opressões sofridas. É quando as mulheres se tornam mais fortes para questionar os papéis atribuídos a elas e passam a desconstruir padrões (mas também preconceitos, privilégios e opressões) já estabelecidos. A mulher se empodera, por exemplo, quando recusa estereótipos a elas atribuídos e compreende que a luta pela igualdade de gêneros e pelo fim do machismo podem torná-las protagonistas de suas vidas.

    10 - Sororidade - É o sentimento de irmandade e empatia entre as mulheres que estão unidas pela causa do feminismo. Essa irmandade e união entre as mulheres, possibilita o fortalecimento da luta contra o sistema patriarcal, o qual divide as mulheres - criando uma falsa ideia de que elas competem entre si - para poderem controlá-las. Quando as mulheres geram empatia entre elas, rompem o estigma da rivalidade e contribuem para fortalecer a ação coletiva do movimento feminista.

    Andréa Rosendo
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Jornalista do Sismuc e mestre em Comunicação | PPGCOM pela UFPR

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