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  • 08/12/2017 Fundações

    FAS acaba com Condomínio Social e mexe na organização das equipes

    FAS acaba com Condomínio Social e mexe na organização das equipes
    Processo retira direitos das pessoas em situação de rua e também dos educadores sociais

    A Prefeitura de Curitiba, na gestão de Rafael Greca, está acabando com uma iniciativa pioneira conhecida como Condomínio Social. Ela está transferindo os moradores para outras unidades de acolhimento conhecidas como UAI (Unidade de Atendimento Integral) ou para repúblicas. O argumento da gestão é que o Condomínio localizado na Regional Santa Felicidade não estava realizando a política para o qual foi criada. Por outro lado, a gestão da FAS está utilizando o prédio que está sendo desocupado para abrigar uma UAI. Essa mudança tem gerado polêmica entre os servidores e também com os usuários do programa. Para eles, além de serem impostas as mudanças, a cidade retrocede na política de reinserção social.

    Para os trabalhadores, essa mudança faz com que se mude a relação do educador social com o cidadão em situação de vulnerabilidade. O risco é de que o educador não consiga acompanhar o desenvolvimento e a reinserção na sociedade. A Prefeitura de Curitiba quer que a equipe que atende atualmente 70 pessoas agora também sejam responsáveis por mais 26 pessoas remanescentes do Condomínio Social, totalizando 96 cidadãos. Atualmente, a capacidade do equipamento é de até 100 pessoas atendidas.

    Nossa crítica é que a gestão da FAS está sobrecarregando os profissionais na medida em que não contrata mais pessoas para atender a demanda que cresceu 37%”. A gestão está aumentando a demanda para uma equipe que vem das UAIs enquanto que a equipe do condomínio social será transferida para uma nova casa de passagem”, informa Maria Cristina Lobo, da coordenação do Sismuc.

    A mudança foi imposta aos trabalhadores no mês de novembro. As transferências dos educadores sociais que trabalhavam no Condomínio Social mexem também com a organização pessoal. Alguns que trabalhavam no período diurno agora foram transferidos para o período noturno. “Essa mudança tinha que ser construída com os servidores. Há toda uma mudança na abordagem e na qualidade do atendimento que são feitas as pessoas”, esclarece Sandra Ester, da coordenação do Sismuc.

    Condomínio Social e UAI

    O Condomínio Social foi criando em 2014 com 37 moradores,sendo um projeto pioneiro em todo o Brasil. Ele tinha como objetivo ser a última etapa no acolhimento e na trajetória de recuperação da pessoa em situação de rua. À época, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, comemorou a iniciativa que é encerrada na gestão de Greca. “O projeto do Condomínio Social dá oportunidade para que a pessoa em situação de rua busque mais, uma vida melhor. Que seja um exemplo e um estímulo para todo o país”, disse a ministra.

    A ideia era que a pessoa encaminhada de outros equipamentos para o Condomínio Social permanecessem no local por no máximo dois anos. Durante este período, a equipe do Condomínio faria todo o acompanhamento e também auxiliaria o morador a dar entrada na documentação necessária para financiar sua moradia definitiva através da Cohab.

    Já a Unidade de Atendimento Integral tem outra característica. Diferente dos albergues, em que as pessoas chegam no fim da tarde apenas para dormir e dependem da capacidade do equipamento, nas UAIs, as pessoas moram em definitivo no local.

    Um exemplo desse tipo de atendimento é realizado para crianças que são afastadas do convívio dos pais por situação de risco. O modelo também existe para adultos, para idosos e para outras situações. A ideia desse modelo de política é fazer a reinserção das pessoas na sociedade. Na medida em que as pessoas em situação de vulnerabilidade conseguem emprego e outras características de cidadania, elas poderiam ser encaminhadas para o agora extinto Condomínio Social.

    Manoel Ramires
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