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  • 24/10/2019 Educação

    PIQ esconde: os problemas por trás das avaliações

    PIQ esconde: os problemas por trás das avaliações
    Arte: Ctrl S
    Modelo de avaliação limitado não chega à raiz dos problemas na educação

    Não bastasse a sobrecarga de trabalho que as professoras e professores da rede enfrentam nas unidades escolares, a gestão do prefeito Rafael Greca conseguiu precarizar ainda mais o dia a dia desses trabalhadores com reorganização da avaliação de Parâmetros e Índices de Qualidade (PIQ).

    O ritmo imposto pela administração para que os formulários sejam respondidos é incompatível com a realidade das unidades de ensino de Curitiba. E, não à toa, os sindicatos já receberam denúncias de fraude da avaliação diante dos prazos e dos recursos que as unidades têm à disposição. Ou seja, a Prefeitura não oferece condições para aplicar o PIQ, que tem um conteúdo bastante questionável, diga-se de passagem, cobra prazos impraticáveis e não dá retorno nenhum sobre o resultado da avaliação para a comunidade escolar.

    É importante ressaltar que o PIQ é uma exigência do governo federal e a aplicação de uma avaliação que pouco condiz com a realidade das unidades de ensino não é uma particularidade do município de Curitiba.

    Avalie o PIQ, não esconda nada

    A orientação das direções do SISMUC e do SISMMAC é que as escolas e CMEIs realizem a avaliação do próprio PIQ. Foi possível realizar o PIQ na unidade? Toda a comunidade conseguiu participar com qualidade? Havia equipamentos disponíveis para todos aqueles que desejassem responder ao questionário? A conexão de internet era adequada? O sistema sofreu alguma queda durante o processo de resposta?

    Para além de avaliar as condições para a realização do PIQ é preciso questionar o próprio instrumento, que não leva em consideração as condições de trabalho e de estudo enfrentadas por trabalhadores e alunos. Por isso, responda se a escola possui número suficiente de professores, pedagogos, auxiliares de serviços escolares, agentes administrativos e ou se os 33,33% de hora-atividade são garantidos na unidade. Se a estrutura da unidade é adequada para o número de crianças atendidas ou se há superlotação de turmas. Pontue os problemas enfrentados na escola e no CMEI e faça de fato uma avaliação do local.
    Envie as suas respostas para o Núcleo Regional e para a Secretaria Municipal de Educação para o email sme@sme.curitiba.pr.gov.br e faça a sua crítica!
    Individual x coletiva

    Não vamos nos enganar, os problemas com o PIQ não são de hoje. Esse modelo de avaliação escolar é limitado e, na maioria das vezes, não chega na raiz dos problemas como: a falta de investimento e estrutura das unidades escolares.As perguntas trazidas são muito bem pensadas pelo governo e induzem a responsabilização dos professores e isentam o governo da avaliação.

    A orientação da Prefeitura para as escolas neste ano é de que a avaliação seja respondida de forma individual, isso também já aconteceu nos CMEIs em anos anteriores. O método de responder coletivamente, por meio de uma reunião com trabalhadores e comunidade, possibilita uma troca entre as partes e o resultado evidencia uma posição daquela comunidade em relação aos diversos aspectos da unidade e do ensino.

    Agora, com a avaliação individual, isso não é possível. O fato das mães e pais poderem responder a avaliação em casa pode tanto acabar com a possibilidade de participarem do PIQ, devido à falta de acesso, quanto pode eliminar a possibilidade de conversar com os trabalhadores nas unidades escolares sobre os problemas. Na prática, a avaliação individual é mais pobre porque não representa o saldo de uma discussão.

    Falta de estrutura

    A maior parte das unidades escolares da rede municipal de ensino não conta com laboratórios de informática. Sem manutenção, substituição dos equipamentos e investimentos, essas salas deixaram de funcionar ao longo dos últimos anos e, sendo assim, não há possibilidade que toda a comunidade escolar responda, individualmente, o formulário do PIQ.

    Em geral, as avaliações servem apenas para fazer propagandas superficiais e que não apresentam a realidade da educação de Curitiba. Enfrentamos o problema da falta de profissionais nas unidades escolares. Faltam professores, pedagogos, auxiliares de serviços escolares, por exemplo. Além disso, parte das turmas estão superlotadas e temos um número crescente de profissionais afastados para tratamento médico, consequência das condições precárias de trabalho e da negligência da Prefeitura. A qualidade da educação abrange muito mais fatores do que essas avaliações são capazes de mostrar.

    Imprensa Sismuc e Sismmac
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