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  • 25/05/2016 Espaço Cultural

    Mais ocupações, mais rebeldia

    Mais ocupações, mais rebeldia
    Adriana Claudia Kalckmann
    A resistência garantia o retorno do MinC e vai garantir a pauta dos trabalhadores

    Dizem que a origem da sexta-feira 13 como um dia de azar tem origem em uma lenda protagonizada pela deusa do amor e da beleza, Friga. A história conta que quando as tribos nórdicas se converteram ao cristianismo, a personagem foi transformada em uma bruxa e exilada no alto de uma montanha.

    Para se vingar, Friga passou a reunir-se todas as sextas-feiras com outras 11 feiticeiras, mais o próprio Satanás, num total de 13 participantes, para rogar pragas sobre a humanidade. Viu-se aí, a primeira rebeldia por um estado laico.

    Já o dia 13 de maio vem há mais de um século revestido de farsa. Na verdade o que foi abolido foi a responsabilidade dos “senhores” pela manutenção e segurança dos seus escravos, que até hoje continuam excluídos do processo social. Portanto , 13 de maio é considerada pelo movimento negro como um “Dia Nacional de luta” e não de “Abolição”.

    E foi em uma sexta-feira, 13 de maio, que recebi várias mensagens em diversos grupos de Whatsapp solicitando, alimentos, cobertores, água e acima de tudo apoio aos resistentes lutadores que ocuparam o Iphan de Curitiba.

    A “República de Curitiba” foi a primeira ocupação após a fusão do Ministério da Cultura ao Ministério da Educação, medida anunciada no dia 12 de maio, pelo governo “interino e golpista” como estratégia de corte de gastos para enfrentar o período de recessão.

    Em visita à ocupação no sábado, 14, quando eu e outros companheiros fomos levar alimentos, fui tomada por um sentimento de tristeza e orgulho. Primeiro por ver companheiros terem de mais uma vez ir à lutar por um bem tão fundamental e ao mesmo tempo ver em um momento tão difícil conseguirem transformar a luta em algo belo.

    Já na entrada artistas em circulo dançavam e a todo momento se via um movimento de pessoas chegando com alimentos, cobertores e solidariedade, além de um respeito e uma preocupação constante com a preservação do espaço tombado.

    E quando achei que nada me emocionaria mais, no domingo um ato espontâneo chamado nas redes sociais, decide seguir até o Iphan apoiar a “resistência cultural”, que não poderia terminar o ato de outra forma que não em arte.

    Mais ocupações, mais rebeldia

    Não podemos, no entanto, reduzir a ocupação a uma luta setorizada. A pressão fez com que o governo sem legitimidade recriasse o Ministério da Cultura. Por outro lado, a luta é maior e não é só pela sobrevivência da cultura, mas contra um governo ilegítimo e golpista, que desde o primeiro dia vêm atingindo setores como a previdência, ciências e tecnologia, direitos humanos, mulheres, raças em um verdadeiro desmonte de áreas essenciais .

    Adriana Claudia Kalckmann
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