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  • 27/10/2017 Institutos

    Greca quer colocar recursos do IPMC na Bolsa de Valores

    Greca quer colocar recursos do IPMC na Bolsa de Valores
    Arquivo Sismuc
    Instituto já teve prejuízos com esse modelo

    A reunião do Conselho de Administração do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Curitiba(IPMC), ocorrida nesta quinta-feira(26) no Edifício Delta, debateu as políticas de investimento do Instituto para o ano de 2018. A atividade contou com a apresentação da empresa contratada de consultoria, a  Aditus, que apresentou o levantamento de todos os investimentos realizados pelo órgão, indicando a previsão de que as novas ações do IPMC deverão ser mais ousadas. Pela primeira vez serão aplicadas ações na Bolsa de Valores, o que deve ser visto com cautela, pois abre margem para maiores investimentos de risco no futuro.

    Há cinco anos, sindicato solicitava investigação do IPMC ao Ministério Público

    De acordo com o documento, mais de R$ 21 milhões do fundo de previdência dos servidores foram investidos em 2009, nos fundos do Bank of New York Mellon (BNY). Após o IPMC solicitar o resgate do montante, o BNY informou que um “penalty” de 20% seria cobrado, caso o dinheiro fosse devolvido. Os gestores do IPMC se disseram dispostos a aceitar a perda, reconhecendo o péssimo negócio realizado.
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    Segundo o coordenador de Aposentados do Sismuc e conselheiro representante do sindicato no Conselho do IPMC, Giuliano Gomes, o Instituto vem apresentando um saldo mensal negativo de 60 milhões. Como já ocorre desde agosto, a prefeitura não fará os repasses dos aportes financeiros até abril de 2018, obrigando o órgão a retirar recurso das aplicações.

    “Temos um saldo positivo de cerca de 2 bilhões que estão aplicados em fundos de renda fixa, poupança, títulos públicos, entre outros investimentos, mas a prefeitura continua não fazendo o repasse mensal. O pacotaço do prefeito Rafael Greca aprovou a retirada de 700 milhões do fundo previdenciário dos servidores, entretanto, como uma liminar proposta pelo funcionalismo barrou o saque, Greca criou o Decreto Nº1269. Através desse mecanismo retirou-se os recursos do fundo por conta da falta de repasses, situação que vem ocorrendo desde julho. O servidor repassa os 11% para o IPMC, mas a Prefeitura não”, observa o diretor do Sismuc.

    Resolução Nº 4604(Bacen) e mudanças nos fundos de previdência

    De acordo com  Gomes, a Resolução nº 4604, do Banco Central - aprovada no último dia 19 de outubro - altera a política dos fundos próprios de previdência social na administração pública em municípios estados e união. A resolução Nº 3922, de 2010, estabelecia o percentual que deveria ser destinado a cada tipo de aplicação financeira, apontando o quanto se poderia investir nas alocações de recursos financeiros dos fundos. No entanto, com a mudança na legislação, os administradores dos fundos podem ficar cada vez mais presos às regras do mercado.

    “Até 2017, a política de investimento vinha se mantendo conservadora, sem riscos e, nesse sentido, segura. A proposta da nova resolução é mais ousada, dando abertura até para que fundos municipais invistam em bolsas de valores. A nossa preocupação é que pela primeira vez o IPMC pode começar a investir em ações como da Ibovespa e multimercados, as quais oferecem riscos maiores”, aponta Giuliano.

    Segundo foi definido na reunião, serão retiradas inicialmente 52 milhões de recursos dos fundos de renda fixa do IPMC para aplicação nos novos tipos de Investimentos. “Por enquanto é pouco e não coloca o Instituto em risco. A nossa preocupação é que a tendência vai ser a de elevação de valores e, como nós sabemos, o mercado é repleto de incertezas, ainda mais em um ano eleitoral, como será o de 2018. Temos que estar atentos porque caso o investimento não seja bem sucedido, é o dinheiro dos servidores que estará em risco. Aplicações mal realizadas em outras prefeituras, por exemplo, fizeram com que servidores perdessem recursos. Por isso somos contrários as mudanças na política de investimentos e defendemos que esse assunto seja amplamente debatido”, argumenta.

    Mercado tem suas próprias regras

    Gomes ressaltou que mesmo investimentos em fundo de aplicação estão sujeitos a irregularidades. O IPMC comprou fundos da BTG Pactual no valor de 1.273.452,89, mas recentemente foi noticiado pela mídia que os sócios da empresa estão sendo investigados pela Lava Jato. “Os recursos foram retirados pela falta de repasse da prefeitura e porque as notícias desfavoráveis fizeram despencar as ações da empresa. Exigimos na reunião do Conselho que a BTG fosse descredenciada”, finaliza.

    Andrea Rosendo
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