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  • 14/06/2017 Institutos

    Ex-Candidatos a prefeito de Curitiba são contra Pacotaço de Greca

    Ex-Candidatos a prefeito de Curitiba são contra Pacotaço de Greca
    Joka Madruga
    Políticos e partidos apontam outras soluções para enfrentar a crise

    O prefeito Rafael Greca (PMN) pode se achar o dono da cidade. Ele tenta impor, junto com a sua base, o pacote de maldades que congela salários dos servidores, plano de carreiras, saca R$ 600 milhões da previdência, além de limitar os investimentos em 70% da receita corrente líquida, o que achataria o serviço público e a prestação de serviços à população em curto prazo. De outro lado, o prefeito não torna transparente quem são os devedores da Prefeitura de Curitiba tampouco quais são as empresas que ele deseja pagar com os recursos retirados do IPMC.

    O modelo neoliberal de Greca não encontra apoio nos candidatos a prefeito de Curitiba que disputaram a eleição com ele em 2016. Greca é classificado como “mentiroso”, pois “vendia” uma realidade a população que não seria aplicada. O famoso “vender terreno na lua”. Já é clássico uma propaganda dele dizendo que não ia mexer em nenhum direito dos servidores públicos, principalmente sua previdência. No entanto, essa é a política adotada pelo gestor.

    A postura de Greca é criticada pelo ex-prefeito Gustavo Fruet, pelos deputados estaduais Tadeu Veneri e Requião Filho, além de Ney Leprevost, que disputou o segundo turno eleitoral. Gustavo Fruet é um dos principais criticos de Greca. Ele condena a deturpação dos números para justificar o pacotaço. Para Fruet, Greca empurra para frente os problemas da cidade, priorizando os patrocinadores de campanha.

    “Pela primeira vez na história a Câmara de Curitiba é cercada para garantir aprovação de projetos do prefeito Rafael Greca. O que está em jogo neste caso é como se constrói uma mentira. Promessas de campanha X projetos na Câmara. Importante lembrar que projetos não mexem só com carreira de servidores, como afirma a atual gestão. Todos serão impactados por reajustes. Lembrando o maior aumento da história da tarifa de ônibus. Ao contrário do que foi prometido na eleição. Pacote não resolve situação. Objetivo é apenas garantir recursos imediatos para investimentos no curto prazo, gerando novo passivo. Mais uma vez, estão armando bomba-relógio para futuras gestões”, alerta.

    O deputado estadual Tadeu Veneri é outro a condenar Greca. Ele foi vereador em 1999, quando presidiu uma investigação sobre o IPMC. Na época, alertou que o Instituto estava sendo mal gerido pelos prefeitos da época: Cássio Taniguchi e Greca. “O projeto retira direitos e aumenta valores de impostos e da taxa de lixo. O prefeito quer retirar R$ 600 milhões para pagar as suas promessas de campanha”, destaca. Veneri também cobrou a falta de diálogo neste momento tão delicado: “Vamos parar a degustação de vinhos em Buenos Aires e conversar com os servidores e discutir as medidas com a população”, disparou Veneri.

    Sem Fidelidade partidária

    Embora partidos como PT, PMDB, PSD, PV e PDT, que disputam a última eleição, estejam contra o pacotaço, nem todos os vereadores seguem a fidelidade partidária. De acordo com mapeamento do Sismuc no site pacotesdogreca.sismuc.org.br, esses políticos estão na base governista e votando contra o direito dos trabalhadores.

    O PSD tem Bruno Pessuti e Jairo Marcelino defendendo o pacotaço. Já Filipi Braga Cortes e Professor Euller são contra. Já a chapa de Fruet, do PDT, que tinha o PV como vice, também tem deserções. É o caso de Cristiano Santos (PV), Maria Letícia (PV), Zezinho do Sabará (PDT), Toninho da Farmácia (PDT) e Tito Zeglin (PDT). Todos esses assinaram o regime de urgência para a votação. Marcos Vieira (PDT), decidiu votar contra o pacotaço nessa semana.

    ATUALIZANDO
    Após a pressão de servidores contra o pacote de medidas proposto pela Prefeitura de Curitiba e suspensão da sessão que votaria quatro projetos em regime de urgência na Câmara Municipal, o ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) convocou uma reunião com vereadores do partido para interpelá-los a votar contra as medidas. A reunião aconteceu na manhã desta quarta-feira (14). Se os vereadores seguirem a orientação do partido, o prefeito perde cinco votos – três deles, dos vereadores Tito Zeglin, Toninho da Farmácia e Zezinho Sabará – líder da bancada, estariam destinados a favorecer a aprovação do pacote. (Paraná Portal)
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    O PSD, partido de Ney Leprevost, também condena a forma como o pacotaço tem tramitado na Câmara de Vereadores. Na segunda-feira, dia que começou a greve, sua comissão executiva divulgou uma nota em que afirma ser um “estelionato eleitoral” as ações de Greca. O partido também destaca a elevação de impostos e que a sociedade “não suporta mais isso”.

    “O PSD Curitiba é contra aumento de impostos, contra taxação de aposentados, contra suspensão de direitos adquiridos pelos servidores municipais e contra qualquer atitude que traga novos ônus à população”, defende a nota.

    Já o Partido dos Trabalhadores, em nome do presidente municipal, André Machado, e estadual, Doutor Rosinha, defendeu a greve e a manifestação dos servidores públicos. “A maioria dos vereadores decidiu votar os projetos em regime de urgência, sem diálogo ou respeito aos servidores e à população. A única alternativa aos trabalhadores municipais foi a greve e a ocupação do prédio da Câmara Municipal. O PT e sua vereadora na Capital, Professora Josete, expressam sua solidariedade à luta dos servidores e seus sindicatos e exigem a retirada do pacotaço de tramitação. Não vamos aceitar retrocessos!”.

    O deputado estadual Requião Filho também questionou o prefeito. Utilizando o material do Sismuc “Cadê o prefeito que não faz nada”, ele disse “desde que assumiu a prefeitura, ele não cumpriu suas promessas”. Requião disse que a maior obra de Greca não foi lavar as calçadas ou aumentar a tarifa do transporte público em 300% acima da inflação, além da Balada protegida, que atende os bairros ricos de Curitiba. Para o deputado, “promessas fáceis de campanha tornam uma administração séria bem difícil. A gestão Greca é apenas de propaganda”, concluiu.

    Manoel Ramires
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