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  • 28/08/2019 Geral

    Future-se: o caminho para o fim do ensino superior público

    Future-se: o caminho para o fim do ensino superior público
    Arte: Ctrl S
    UFPR e outras 40 universidades dizem não ao Projeto de desmantelamento do ensino público

    Não é novidade que a privatização dos setores públicos é um dos maiores objetivos do governo Bolsonaro. Assim como a Reforma da Previdência, o Projeto Future-se é um verdadeiro banquete para aqueles que desejam lucrar às custas da classe trabalhadora. A proposta entrega a universidade pública nas mãos da iniciativa privada, transformando a educação, que é direito dos trabalhadores, em lucro para empresas.

    Mais de 40 universidades federais já realizaram debates públicos e se posicionaram contrárias à medida. Entre elas, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que rejeitou por unanimidade o Projeto Future-se na terça-feira (27). Durante a reunião do Conselho Universitário, órgão máximo de decisão das universidades, os estudantes realizaram um ato para manifestar a insatisfação com o momento enfrentado pela educação pública.

    O projeto dá continuidade aos cortes de 30% no orçamento das universidades e institutos federais. A redução orçamentária faz com que muitas universidades não tenham mais condições de manter suas portas abertas, abrindo espaço para o Future-se ser vendido como a grande solução para esses problemas.

    O discurso de modernização e geração de renda por trás do projeto não passa de uma mentira. A verdade é que o Future-se prevê a entrega da produção cientifica brasileira e do patrimônio público nas mãos dos empresários. Como se não fosse suficiente, o projeto também pressupõe o fim do tripé: ensino, pesquisa e extensão. Ou seja, o desmantelamento completo de universidade.

    No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD) também ataca as universidades estaduais. A minuta da Lei Geral das Universidades, apresentada no dia 3 de junho, ataca a autonomia e reduz drasticamente o número de professores das universidades, a partir da imposição de uma relação professor-aluno. Além de considerar excedente cerca de 40% dos professores das universidades, o projeto extingue carreiras de agentes universitários (limpeza, vigilância, serviços gerais) e impõe a terceirização desses serviços.

    Fim da universidade para quem?

    O sucateamento do ensino público não vem de hoje, mas mesmo com limitações as universidades ainda são responsáveis por grande parte do conhecimento produzido para sociedade. Áreas como a saúde, a educação e a tecnologia são alimentadas pelo que é pesquisado dentro das universidades.

    Com a entrega desse conhecimento para a iniciativa privada, as necessidades da sociedade não serão mais uma prioridade, e a universidade passará a produzir somente aquilo que a iniciativa privada acreditar gerar lucro. O fim do retorno social torna a universidade algo cada vez mais inacessível para nós trabalhadores, servindo apenas ao interesse dos mais ricos.

    Autoritarismo na educação

    O Future-se deveria chegar ao parlamento por meio de Projeto de Lei, mas nesta quarta-feira (28), o ministro da Educação Abraham Weintraub mostrou mais uma vez para que veio. Com uma postura autoritária, o ministro disse que o governo estuda enviar o Future-se para o Congresso como uma Medida Provisória.

    Desde que assumiu a presidência, Jair Bolsonaro já editou 23 medidas provisórias. Esse é um instrumento antidemocrático, que só deveria usada pelo presidente em caso de relevância e urgência. As MPs nascem com força de lei e perdem a eficácia caso não sejam aprovadas pelo Congresso e transformadas em lei no prazo de 30 dias a partir de sua publicação.

    A nossa luta unificou!

    A luta pela educação pública não pode ser algo separado da luta dos trabalhadores. O acesso à universidade, assim como o ensino básico, é um direito dos trabalhadores e de seus filhos e filhas, e devemos lutar para mantê-lo. Diremos não ao Future-se, assim como continuaremos dizendo não ao sucateamento de nossa Previdência Social. É hora de união!

    Imprensa SISMUC/SISMMAC
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