Sua busca será em:
- Notícias
- Artigos de Opiniões
- Na Pauta
- Vídeos
- Galeria de Fotos

Notícias

Imprimir
  • 27/09/2016 Opinião

    Reformulação do Ensino Médio perpassa ideal de educação para todos!

    Outro ponto preocupante quando se fala sobre o profissional que seja “de conhecido notório saber” é compreender quem seria o responsável por “classificar” essas pessoas

    Muitas foram as pessoas que se levantaram contra a Medida Provisória (MP) de reformulação do ensino médio no ponto da retirada de disciplinas como sociologia, filosofia, artes e educação física.

    Não desmerecendo a importância de tais disciplinas e nem recriminando aqueles que ficaram indignados com tal ato, pois é completamente descabido para uma boa formação humana que estes conhecimentos sejam deixados de lado nessa importante fase de construção da pessoa que é a adolescência.

    No entanto, outros pontos – que talvez tenham um caráter mais devastador para toda uma geração – têm sido deixados de lado. Um deles é a inutilidade que a MP prevê para as licenciaturas, com o discurso de que não se precisará de formação específica para dar aula, e sim apenas um “notório saber” sobre o tema. Em uma sociedade onde os professores estão cada vez mais desvalorizados, a MP aprova que pessoas com bacharel possam substituir esses professores: logo, um engenheiro, que pode entender absolutamente tudo de cálculo, poderia dar aula no lugar de um professor de matemática, no entanto esse engenheiro não teve nenhuma aula de didática em seu percurso acadêmico. Portanto, ele não é de fato habilitado a ministrar aula para esses jovens.

    É sabido que um professor que não tenha didática acaba não conseguindo uma relação com seus alunos e esses então não conseguem aprender de maneira ampla e eficaz, assim como existe a lei federal que trata do piso salarial do profissional do magistério – leia-se professor licenciado. Sendo assim, essas pessoas não seriam contempladas na legislação, podendo a escola remunerar por conta própria esses professores, burlando a lei e pagando menos ao profissional.

    Outro ponto preocupante quando se fala sobre o profissional que seja “de conhecido notório saber” é compreender quem seria o responsável por “classificar” essas pessoas como detentoras de notório saber ou não. Quando se escuta tal fala, logo surge na mente uma sala escura com uma mesa e alguém do Estado (de farda) com uma imensa ficha fazendo uma “sabatina” nos professores. Afinal, voltaremos ao tempo em que os professores eram submetidos a “vigilantes de conteúdo”? Pois é exatamente isso que parece, após uma discussão sobre uma Escola sem Partido, onde a comunidade definiria o conteúdo que o professor daria em sala de aula, de acordo com os princípios morais da comunidade e onde se incentiva o “delatorismo”, ou seja, se incentiva que as pessoas acusem – mesmo que só por convicção e anonimamente – outros professores que não seguirem a cartilha ditada por uma minoria da sociedade. Agora, apresenta-se a MP onde esses professores precisam apenas ter notório saber – que alguém definirá do que se trata – para ingressar na carreira docente.

    E tal medida fica ainda mais arcaica, ao pensarmos que lutamos tanto por uma Constituição Federal que garante educação púbica, gratuita e de qualidade PARA TODOS,e a toque de canetada esse desgoverno interino, corrupto, golpista e usurpador quer – de maneira covarde e antidemocrática – reduzir esse direito a apenas uma parcela da sociedade. Pois ao definir que a carga horária passará de 800 para 1400 horas, distribuídas em 200 dias letivos (obrigando assim que o ensino médio seja de período integral), impossibilita o ensino médio em período noturno. Logo, aqueles jovens que precisam trabalhar para auxiliar na renda de casa não poderão concluir essa importante fase educacional. Aumentando assim a evasão escolar e possibilitando que estes sejam desprezados pela sociedade e não tenham nenhuma perspectiva palatável de uma qualificação profissional e pessoal.

    Enfim, em meio a um projeto tão descabido pedagogicamente, esses são alguns dos temas que demonstram a total falta de preparo desse desgoverno e daqueles que estão pensando e discutindo a política pública educacional no nosso país. E que de maneira arbitrária e irresponsável querem retroceder os ganhos que a educação conquistou nos últimos anos de governo. E ainda nem conseguimos prever os impactos que essa medida terá se for somada à Proposta de Emenda Constitucional (PEC 241) que desmonta não só o serviço público como também a educação e saúde. E mais uma vez quem sofrerá o maior impacto desse desmonte governamental que esta sendo o período de (des)governo do golpista Michel Temer será a juventude, que está se formando nas universidades e não terão onde trabalhar assim como a juventude que ainda passará por esse ensino médio precário, desvalorizado e segmentado.

    Marina Alzão Felisberto
Voltar para o Índice

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba
Rua Monsenhor Celso, 225, 9º andar. Conjunto 901/902 - Centro. Curitiba- PR. Cep: 80010-150     Fone/Fax: (41) 3322-2475     E-mail: sismuc@sismuc.org.br

DOHMS