Na Pauta

  • 18/10/2017 Na Pauta
    Terra Sem Males

    Privatização de bancos públicos aumentará preço dos alimentos

     Privatização de bancos públicos aumentará preço dos alimentos
    Joka Madruga/Terra Sem Males
    Audiência Pública em Curitiba alerta população sobre os riscos da venda de empresas estatais fomentada pelo governo Temer

    80% de todo o crédito de longo prazo, 70% do financiamento imobiliário, 70% do investimento em agricultura familiar, 80% do investimento em saneamento e 56% de todo o crédito ofertado para pessoas físicas e jurídicas no Brasil são propiciadas pelos bancos públicos.

    Nesta terça-feira, 17 de outubro, a privatização do Banestado, maior banco público do Paraná, completa 17 anos. E nesta mesma data, os movimentos sindicais, sociais, parlamentares de esquerda e entidades representativas de trabalhadores bancários, realizaram em Curitiba a audiência pública “Em Defesa dos Bancos Públicos”, no plenarinho da Assembleia Legislativa do Estado.

    “A população ainda não entendeu que a nota promissória do golpe chegou na mesa do golpista Michel Temer e ela está sendo cobrada pelos banqueiros. O golpe foi nos trabalhadores e também na maioria daqueles que saíram às ruas pedindo a destituição do governo da presidenta Dilma”, declarou Junior Cesar Dias, presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT-PR), entidade que pautou a realização da audiência sob proposição do deputado estadual Tadeu Veneri (PT).

    A coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Maria Rita Serrano, que também é representante eleita pelos trabalhadores da Caixa no Conselho de Administração do banco, explicou que os bancos públicos não estão oficialmente na lista das 57 empresas que o governo Temer quer privatizar, mas alertou que a privatização “acontece pelas bordas” através do sucateamento.

    Maria Rita disse que nesta quarta-feira, 18 de outubro, o Conselho de Administração da Caixa irá deliberar proposição do governo federal de transformar o banco 100% público em sociedade anônima (S/A), abrindo o capital para o mercado financeiro. “A Caixa não pode ter capital aberto porque é a maior operadora dos programas sociais do país e acionista de empresa de capital aberto só tem interesse no dividendo, no lucro, não tem a obrigação de pensar no desenvolvimento do país. Quem perde são os trabalhadores, a população, os movimentos sociais e o Brasil”, alertou.

    Além do financiamento de moradias populares, estudantil, de saneamento básico e infraestrutura, a Caixa como banco público administra as loterias, que têm como função principal o investimento social, destinando 50% do lucro para esse fim. De acordo com Clotário Cardoso, representante da Fenae, que apresentou números do banco, a cada dez minutos, são efetuados mil pagamentos do FGTS, que é um dos maiores fundos privados do mundo (por ser dos trabalhadores) que realiza investimentos públicos.

    O representante dos trabalhadores do Banco do Brasil, Vagner Nascimento, lembrou que a venda dos bancos públicos encarece o preço da comida, na mesa dos brasileiros, pois 70% do financiamento da agricultura familiar é feito via BB. “Uma parte da sociedade ainda não entende a importância dos bancos públicos, que não foram destruídos ainda porque estamos unidos fazendo a defesa deles”, afirmou. Nascimento lembrou que o processo de reestruturação do BB feito pelo governo Temer fechou 900 agências e reduziu, sem reposição, 10 mil funcionários, com a intenção deliberada de tornar o banco pior.

    Inclusão financeira – No Paraná, 542 agências são de bancos públicos e quase o dobro (906) são de privados mas, apesar dessa disparidade, a oferta de crédito foi de R$ 101 bilhões pelos bancos públicos em 2016 e somente R$ 23,3 bi pelos privados. O bolsa família atende no Paraná 8,6% das famílias, que recebem em média a quantia mensal de R$ 152,35, proporcionando o acompanhamento escolar de 374 mil crianças. O programa Minha Casa Minha Vida chegou a atender 80% dos municípios, mas atualmente sofreu uma inversão de papel com cortes de crédito na faixa 1, para famílias com renda de até R$ 1,8 mil, e ampliando o financiamento imobiliário para as classes média e média alta.

    A audiência pública também contou com a presença da presidente da CUT Paraná, Regina Cruz, do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Bancários (Contraf-CUT), Roberto Von Der Osten, do presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, Elias Jordão, dos deputados estaduais da bancada do PT, Professor Lemos e Péricles de Melo, de representantes do TEM e do BRDE, da Frente Brasil Popular e do MST.


    A partir desta terça, será encaminhada a criação de uma Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos no Paraná. Nesta quinta-feira, 19, às 12h, serão realizado abraço simbólico nos prédios administrativos centrais do BB e da Caixa em Curitiba como parte da programação de Jornada Nacional de Lutas em Defesa das Estatais.

    Paula Zarth Padilha
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